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domingo, 7 de janeiro de 2018

Conhecendo Petra, a cidade perdida da Jordânia

Agora que já demos todas as dicas úteis sobre Petra para ajudar você a organizar o seu roteiro, vamos contar como foi a nossa experiência neste que é um dos conjuntos arqueológicos mais interessantes que já conhecemos.

Embora estejamos acostumados a sempre ver a mesma foto do lugar, aquele imponente monumento esculpido na pedra conhecido como o Tesouro, Petra é muito mais do que isto, envolvendo quilômetros que vão cruzando inúmeras outras estruturas esculpidas na rocha, de túmulos a teatros, de estátuas a templos. E entre os monumentos, ganha destaque o Monastério que, facilmente, divide com o Tesouro a capacidade de nos deixar boquiabertos.

O Monastério, um dos monumentos mais visitados de Petra

O Tesouro, o monumento mais classicamente associado a Petra

Considerando o grande tamanho da zona arqueológica, dividimos o nosso passeio em dois dias, escolhendo os horários com o sol mais ameno para fazer a caminhada pelo local: o final da tarde do primeiro dia e o início da manhã do segundo (a possibilidade de se utilizar o ingresso por 2 dias, pagando-se apenas JOD 5,00 a mais por isso, foi extremamente útil).

Primeiro dia em Petra


Na nossa primeira visita ao sítio arqueológico, resolvemos caminhar até a área em volta do Tesouro, embora não tenhamos resistido a ir um pouco mais longe. O Monastério, no entanto, por ficar a 4Km de caminhada, teve que ser, obrigatoriamente, deixado para o dia seguinte.

Logo após comprar o bilhete e garantir uma garrafa de água para cada um, atravessamos a catraca e demos de cara com uma grande área deserta, na qual vários jordanianos começaram a nos encher para seguir até o Tesouro em um cavalo ou em uma charrete. Mas o que queríamos mesmo era ir caminhando com calma, fotografando e admirando o caminho. Além de que somos contra a exploração animal que enxergamos neste tipo de prática.

Diante da nossa negação, eles afirmavam que seria de graça (o que duvido muito) e, durante toda a caminhada, várias crianças ficavam nos abordando oferecendo o lombo de um jumento. Difícil dizer não para o negociantes árabes. Eles aprendem desde cedo a arte de importunar e tentar vencer por cansaço. Mas fomos firmes e continuamos a nossa caminhada.

Poucos metros após a entrada, damos de cara com o Al Siq, que é um caminho, naturalmente, formado por altos paredões de rocha avermelhada (com uma altura máxima de 80m) que se dispõem lado a lado e vão alargando ou encurtando a passagem ao longo do trajeto.

E lá fomos nós pelo caminho rumo ao Al Siq


Nas pedras que margeiam o local, já se vê entradas nas rochas construídas pelos Nebateus, povo árabe que construiu Petra






Chegando ao Al Siq, que correspondia ao principal caminho para se acessar Petra

Mas antes de chegar ao Al Siq, não deixe de reparar em dois monumentos esculpidos na rocha que já podem ser vistos logo no início da caminhada: os Djinn Blocks (ou God Blocks), à direita da trila, e o o Obelisk Tomp, à esquerda. Os dois ficam bem próximos um do outro e acredita-se que ambos eram tumbas antigas.

Olha ali os blocos de pedra, conhecidos como Djinn Blocks

Os Djinn Blocks


O Obelisk Tomp

Mas havíamos começado o passeio e já estávamos impressionados com a capacidade dos Nebateus de esculpir tudo nas pedras


Logo chegamos ao Al Siq que continua por cerca de pouco mais de 1Km até acabar no Tesouro, o ponto alto desse primeiro dia. Uma grande vantagem do Al Siq é a sombra que os paredões de rocha fazem sobre o caminho, aliviando o calor.

A sombra no Al Siq já é o alívio. E olha que só caminhamos alguns metros debaixo do sol


Uma pequena e bela árvore mostra a força da sua resistência em meio ao clima desértico de Petra




Em alguns, pontos do Al Siq, os paredões se aproximam tanto...


Ao ponto de se tocarem




A cor avermelhada das rochas vai fazendo a gente entender o nome alternativo de Cidade Rosa para petra








Muitas paradas para admirar o lugar


O sol tentando invandir uma das fendas do Al Siq


No meio das rochas, mais um pouco de verde vencendo a adversidade

Ao longo do trajeto pelo Al Siq, a gente ia encontrando resquícios de esculturas na rocha e pequenas entradas na pedra que não sabíamos se tratava de antigas tumbas ou moradias.

Esculturas na rocha


Aposto que representava altares em homenagens a deuses antigos


Percebam a escadaria levando para uma porta na rocha. Seria a entrada de uma moradia ou de uma tumba?

Demoramos para decifrar o que era esta escultura: uma pessoa ao lado de um animal de quatro patas, provavelmente, um camelo ou dromedário.


Um dos momentos mais incríveis da caminhada é quando o Tesouro começa a aparecer discretamente na estreita fenda no final do Al Siq. Pausa para fotos, claro!!

E entre a fenda do Al Siq, surge a primeira imagem do Tesouro...


Que vai, aos poucos...


Engrandecendo-se diante de nossas vistas

Hora de passar um bom tempo em frente ao mais clássico monumento de Petra, apreciando cada detalhes da sua incrível estrutura. Infelizmente, não é possível entrar através de sua porta. O interior é restrito aos trabalhos arqueológicos.

Impressiona o grau de preservação da fachada do Tesouro

E a vontade de entrar?

Só nos restava admirar os detalhes

Indiana e Ali Babá felizes diante de uma das Sete maravilhas do Mundo

Olha os detalhes 


E tudo construído há milhares de anos


Sem dúvidas, uma das grandes joias da arqueologia


E por falar em arqueologia, recentemente, foi descoberta uma câmera abaixo do Tesouro. Fico imaginando o quanto falta ainda se descobrir naquele lugar. Os arqueólogos ainda têm muito trabalho pela frente. 

Não por acaso, o apelo arqueológico do lugar acabou atraindo o cinema de Hollywood que, na década de oitenta, usou a fachada do Tesouro como locação para as filmagens de Indiana Jones e a Última Cruzada. E as referências ao herói do filme ainda estão bem presentes em petra, incluindo o chapéu que lá comprei.

E, abaixo do solo, em frente ao Tesouro, a mais nova descoberta arqueológica

Em determinado momento, um grupo de jordanianos chegou trazendo dromedários. Quem quiser montar em um e tirar foto diante do Tesouro, basta pagar.

Não poderia faltar dromedários neste lugar



Em frente ao Tesouro há uma loja de souvenirs, onde é possível também comprar algum lanche e repor a reserva de água.

Saiu bem pequeno da foto, mas, no lado contrário ao Tesouro, dá para ver uma pequena estrutura montada ao lado da rocha. É a loja de souvenirs da qual falei.

A esta altura, você deve estar se perguntando o que exatamente representava o Tesouro. Como era hábito entre os povos antigos, esta bela e majestosa estrutura foi construída para servir de mausoléu para a realeza. Como sempre, a classe dominante esbanjando até para sepultar os corpos. No entanto, ainda existem dúvidas se, realmente, esta era a única função da construção.

E se você acha que a visita a petra finaliza no tesouro, engana-se. Seguindo pela trilha, você encontrará vários outros monumentos em uma grande área aberta, conhecida como Street of Facades.

Mais construções ao lado do Tesouro



Esta entrada estava desbloqueada, mas, no interior, só havia escuridão. Seria mais uma tumba?


Acessando a Street of Facades

Após acessar a Street of Facades, você verá, ao seu lado esquerdo, uma das contruções mais presentes entre os povos antigos e que não poderia faltar em Petra: um teatro. Já nas rochas que margeiam o lado direito, você verá várias tumbas (povos para gostar de tumbas eram os antigos, não é mesmo? seja no Egito Antigo seja nas antigas cidades dos povos pré-colombianos nas Américas seja em Petra o que não falta é tumba!)

O Teatro de Petra


O Teatro tinha capacidade para 4000 espectadores



Tumbas


Mais Tumbas


Infinitas tumbas

Esta tumba mais elaborada era a Urn Tomb que acabou sendo adaptada como uma igreja bizantina durante o domínio de Constantinopla sobre Petra


Mais dromedários em Petra

Em toda esta área mais aberta após o Tesouro, pode-se encontrar tendas vendendo souvenirs, água, refrigerantes e chás.

Uma das tendas que citei acima na base da rocha
Seguindo em frente, chegamos ao que era considerado o coração de Petra, a sua antiga área comercial. Afinal, a cidade foi construída no meio de uma importante rota comercial da antiguidade, exatamente com o propósito de servir de centro do comércio dos Nebateus. 

E o primeiro resquício deste antigo centro do comércio que vimos foi a Colonnaded Street, uma antiga rua comercial adornada por colunas romanas que foi utilizada não apenas durante o domínio árabe da cidade, mas também durante os domínios romano e bizantino.

A Colunneded Street










Seguindo pelas ruas de colunas, chega-se a uma escadaria que leva ao que era o antigo mercado de Petra. E, mais adiante, encontra-se o que restou de um antigo templo, o Templo de Qsar Al-Bint.

A escadaria


Local onde funcionava o antigo mercado de Petra




O centro comercial da antiga Petra visto de longe


O Templo de Qsar Al-Bint



Esta pedra localizada ao lado do Templo de Qsar Al-Bint deve, muito provavelmente, ser chamada de pedra do camelo

Àquela altura, com o sol já começando a descer, era hora de fazer o caminho de volta até o centro de visitantes. A partir daquele ponto em que estávamos, começa a trilha que vai até o Monastério, mas este monumento teria que ficar para o dia seguinte.

E o sol começava a descer na Jordânia


No retorno, fomos, obviamente, passando por tudo que já havíamos conhecido. Chegando ao Tesouro, não resistimos e paramos mais uma vez para mais fotos.

Mais foto do Tesouro...


E dos seus detalhes

O dia chegava ao fim após cerca de 4 Km andados (juntando ida e volta). Por sorte, o nosso hotel estava ali perto. Estávamos tão exaustos que nem quisemos sair para comer fora e jantamos no restaurante do próprio hotel. 

Segundo dia em Petra


O nosso segundo dia começou cedo. Afina,l queríamos pegar o sol ainda baixo para enfrentar os 8Km de caminhada que aquela manhã nos reservaria. Para chegar ao Monastério seriam 4km a partir do Centro de Visitantes, tendo que fazer todo o caminho de volta depois.

Como o acesso a Petra já é liberado às 6h, já estávamos em seus portões antes das 7h da manhã. O caminho era o mesmo do dia anterior, passando pelo Al Siq, o Tesouro, a Street of Facades, o Teatro e a Colunnaded Street. Bem próximo a esta última, há um restaurante com ótima estrutura (inclusive com um banheiro externo que pudemos utilizar).

De volta ao Al Siq


Revendo o Tesouro, agora, sob a luz da manhã


E é, a partir deste restaurante, que se inicia o trecho mais puxado que nos leva até o Monastério. No início, sem perceber, você começa a subir alguns degraus bem baixos. No entanto, à medida que íamos avançando, os degraus naturais iam ficando mais altos e o trajeto ia se tornando mais e mais cansativo.

Iniciando a subida rumo ao Monastério


Quando menos percebemos, já estávamos no alto


Mas calma: não é preciso escalar nem levar nenhum apetrecho específico para subida em montanhas. O tempo todo vamos utilizando as rochas como degraus naturais. No caminho, encontramos algumas tendas vendendo água e chá. E, enquanto subíamos, um casal de cachorros ia nos fazendo companhia.

Também íamos encontrando algumas crianças com seus jumentos oferecendo o prosseguimento do trajeto em cima do animal. Teria coragem nunca se montar um jumento àquela altura.

Chegamos ao final da subida exaustos. Acredito que, do restaurante até o Monastério, são cerca de 2Km sempre para cima. Mas, uma vez de frente para o monumento, percebemos que valeu à pena demais, a caminhada. 

O Monastério







O Monastério é tão impressionante quanto o Tesouro. Embora construído pelos Nabateus, o edifício foi utilizado, por último, pelos otomanos que o transformaram em uma igreja bizantina durante o domínio de Constantinopla sobre a cidade.

E para deixar tudo ainda mais incrível, um campo de flores amarelas havia crescido de frente para a construção.

Campo de flores amarelas de frente para o Monastério




Alguns turistas mais dispostos ainda seguiram para o alto de uma rocha de frente para o Monastério. A vista de lá deve ser incrível, mas não tínhamos mais forças para mais esta subida.

Para descer, foi, obviamente, bem mais fácil. Mas teríamos 4 Km ainda de caminhada até o Centro de Visitantes. Como o sol já estava ficando mais alto, o calor começava a incomodar ainda mais. Não precisa nem dizer que é preciso ter sempre água em mãos para se hidratar bem, né?

Chegamos muito cansados ao Centro de Visitantes. Pausa para um sorvete porque merecíamos. 

Era pouco mais de 10 horas da manhã e ainda teríamos que pegar a estrada para retornar a Aqaba, de onde atravessaríamos a fronteira de volta a Israel.

Mas todo o cansaço, os calos nos pés e o sol quente tinham valido à pena. Saímos de Petra sabendo que havíamos aproveitado ao máximo e, não à toa, estávamos fascinados com o lugar.

Não tínhamos mais dúvidas de que a eleição de Petra como uma das Sete Maravilhas do Mundo, havia sido mais do que justa!




OBS:
1. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio



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