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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Como conhecer o Mar Morto por conta própria

Se você estiver passeando por Jerusalém, uma ótima e curiosa opção de passeio a partir da cidade é a visita ao Mar Morto, com a possibilidade de entrar em suas águas e boiar (mesmo contra a sua vontade) em decorrência da alta salinidade presente em sua composição. Esta alta concentração de sal aumenta em muitas vezes a densidade da água, tornando nossos corpos relativamente bem menos densos, o que nos permite flutuar na superfície do mar sem absolutamente nenhum esforço.

O Mar Morto em Israel. Esta faixa branca no ponto de encontro do mar com a praia é sal. As montanhas do outro lado das águas pertencem à Jordânia

A boa notícia é que é super fácil visitar o Mar Morto por conta própria, uma vez estando em Jerusalém, não havendo a necessidade de contratar passeios em agências de turismo (a não ser que você queira, claro).

Neste post vou contar como isto é possível e como foi a nossa experiência. Mas, antes, acho interessante fornecer algumas curiosidades sobre o local:

1. Na verdade, o Mar Morto é um lago de água salgada, não havendo conexão direta com o oceano. Localiza-se no Deserto da Judeia e é alimentado pelo Rio Jordão, banhando tanto Israel (a oeste) como a Jordânia (a leste) e servindo, inclusive, como uma fronteira natural entre os dois países.

2. A concentração de sal 10 vezes maior nas suas águas do que nos oceanos é o fator que impossibilita a vida em suas águas, o que acabou gerando o nome do lago. Portanto, não há perigo de encontrar nenhum peixe no Mar Morto.

3. O Mar Morto localiza-se na região mais abaixo do nível do mar da superfície terrestre (mais de 400 metros abaixo do nível do mar).

4. Suas águas são compostas por diferentes tipos de minerais, alguns não encontrados em outros locais do mundo. Esta característica levou à fabricação de vários cosméticos à base dos minerais do Mar Morto, que fazem sucesso em Israel por serem considerados benéficos para a pele. E é por isso que vários turistas se cobrem da lama do lago quando o visitam (não foi o nosso caso).

Os turistas se banhando com a lama do Mar Morto. Será mesmo tão boa para a pele assim?


5. Infelizmente, o Mar Morto está desaparecendo. Desde a década de cinquenta, ele já sofreu uma redução de mais de 30% em sua área. E isto se deve a inúmeros fatores: a evaporação de suas águas (afinal, trata-se de uma área desértica com baixos níveis pluviométricos); a utilização das águas do Rio Jordão com única fonte de água doce para Israel e Jordânia; e a extração descontrolada dos minerais de suas águas pelas indústrias locais.

Portanto, não demore demais a ir conhecer o Mar Morto. Não sabemos até quando ele existiráá.

Mas vamos ao que interessa...

Como ir de Jerusalém para o Mar Morto?


Embora seja possível perceber pelo mapa abaixo que o Mar Morto não fica longe de Jerusalém, é importante saber que não é toda parte do lago que é liberada para o banho público. Na verdade, as áreas públicas de banho são limitadas e citarei aqui duas delas: Ein Gedi e Ein Bokek.

Percebam que Jerusalém não fica distante do Mar Morto. Circulados estão duas áreas nas quais se permite o banho público: Ein Gedi e Ein Bokek

Nós, inicialmente, iríamos visitar Ein Gedi (localizada a cerca de 80Km de Jerusalém), mas o próprio motorista do ônibus deu a dica de que a melhor praia para banho era Ein Bokek (a cerca de 115 Km de Jerusalém). E, assim, nós dois e todos os demais turistas que estavam no ônibus acabamos indo para Ein Bokek.

E foi uma ótima escolha. Não sei dizer se, realmente, é melhor do que Ein Gedi, mas adoramos a estrutura de Ein Bokek. Na verdade, eu achava que pararia no meio do nada e que lá só haveria o deserto e a praia. Mas o que encontramos foi uma espécie de mini balneário, com hotéis, alguns nitidamente de luxo, e um centro comercial com lojas e restaurantes.

E, para chegar a alguma destas praias do Mar Morto, basta pegar um ônibus no Terminal Rodoviário de Jerusalém (se estiver hospedado próximo a uma estação de tram, mais fácil ainda, pois há uma parada do transporte em frente ao terminal). Uma vez dentro da rodoviária, você deve subir as escadas rolantes e procurar pela bilheteria da companhia de ônibus Egged.

Na hora da compra, basta dizer que quer uma passagem para o Mar Morto. Os funcionários já estão acostumados com os turistas fazendo o mesmo e te dará a passagem correta, indicando o número do ônibus e a plataforma para pegá-lo. E há vários horários disponíveis, já que mais de uma linha de ônibus passa pela orla do Mar Morto.

A passagem nos custou em torno de NIS 35,00 (embora não tenha certeza absoluta deste valor agora). E só é possível comprar a passagem de ida. A de volta pode ser comprada diretamente com o motorista quando você entrar no ônibus.

Assim que entramos no ônibus e mostramos a passagem, dissemos ao motorista que queríamos parar no Mar Morto e ele nos informou o melhor local e garantiu que nos avisaria (outros turistas estavam na mesma situação). Portanto, recomendo que você já combine a parada previamente com o motorista. Funcionou muito bem para nós.

Saindo de Jerusalém, a paisagem logo se torna desértica e não demora muito para o Mar Morto surgir na nossa frente. Neste ponto, estamos na extremidade norte do lago e o ônibus começa a margear a sua orla sempre rumo ao sul.

E aqui vai uma dica: para ir apreciando o Mar Morto durante a viagem, sente-se nas poltronas do lado esquerdo (mesmo lado do motorista) durante a ida.

No início, a paisagem é só deserto...


Mas, então, o Mar Morto aparece...

E nos acompanha por quase todo o trajeto

Em alguns pontos da estrada, surgem plantações de palmeiras

No caminho, o ônibus vai parando em vários locais. Em Ein Gedi, notamos que há mais de uma parada, localizadas, estrategicamente, na porta de hoteis (e a gente nem fazia ideia de que havia hoteis por ali). Mas eram hoteis bem mais isolados do que os que vimos posteriormente em Ein Bokek.

Mas uma das paradas que, talvez, seja mais interessante para o turista é a do sítio arqueológico de Massada. Famosa zona arqueológica do Deserto da Judeia, o local fica no topo de uma montanha, acessada por um teleférico. E os ônibus que fazem o caminho inverso, retornando para Jerusalém, param no mesmo local. 

Havíamos nos programado para visitar Massada na volta do Mar Morto. No entanto, como nossos planos mudaram ao decidir ir até Ein Bokek (mais longe), perdemos mais tempo, de forma que, na volta, não dava mais tempo de pegar o sítio arqueológico aberto. Se soubéssemos, teríamos saído de Jerusalém mais cedo.

Durante o verão (abril a setembro), Massada é aberta para visitação das 8 às 17h (exceto nas sextas quando fecha às 16h). No inverno (outubro a março), abre das 8 às 16h (nas sextas, fecha às 15h). O ingresso custa NIS 28,00.

Chegando a Ein Bokek, há mais de uma parada, mas, felizmente, o nosso simpático motorista só nos deixou descer na que ficava mais próximo da área de banho.

Para retornar, bastou ficar esperando na parada do lado inverso de onde havíamos descido. Havíamos decorado o número do ônibus em que chegamos, mas, como há mais de uma linha, decidimos perguntar ao primeiro que parou se ele iria para Jerusalém, obtendo confirmação e saindo assim do calor escaldante que estava fazendo durante a nossa longa espera (infelizmente, não há a indicação dos horários em que os ônibus passam na parada).

Tomando banho no Mar Morto


Confesso que ficamos boquiabertos com a estrutura Ein Bokek: muitos hotéis, sorveterias, restaurantes e lojas (incluindo as especializadas em cosméticos à base dos minerais do Mar Morto, claro). Como havíamos esquecido a toalha, pudemos comprar uma nova (caríssima) em uma das lojas especializadas em produtos de praia que havia por lá.

Ein Bokek


Muitos hotéis para se hospedar em Ein Bokek, no meio do Deserto da Judeia e às margens do Mar Morto

A praia em si tem ótima estrutura. Há barracas fixas para proteger os turistas do sol, mais de um chuveiro de água doce (algo essencial) e banheiros para que os banhistas possam trocar de roupa. Tínhamos tudo de que precisávamos.

A praia para banhistas em Ein Bokek. Sombra não falta para quem quiser fugir do sol


Nesta foto, vê-se os banhistas utilizando os chuveiros de água doce da praia

Antes de entrar na água, é importante estar atendo a algumas precauções:

1. Uso óbvio de protetor solar (não precisava nem dizer, né?) e de óculos escuros.

2. Não molhar o rosto com a água do Mar Morto, já que se deve evitar o contato da água com seus olhos (lembra da alta salinidade?). Ou seja, nada de mergulho. 

3. Não engolir água. E há uma orientação de se procurar ajuda médica imediata em caso de ingesta. Mas confesso que toquei a ponta do meu dedo mindinho molhado na ponta da minha língua. E é salgado demais mesmo!!

4. Se você tiver algum ferimento no corpo, por mais imperceptível que seja, você sentirá ardor no local assim que entrar na água. Eu mesmo descobri que estava com uns arranhões no braço dos quais nem havia dado conta antes.

Na verdade, estas e outras precauções estão escritas em uma placa, mas vai que você só encontra placas escritas em hebreu como a abaixo. Bom já saber das precauções antes.

Precauções para se entrar no Mar Morto (entendeu alguma coisa?)

Agora, outra confissão: parecíamos duas crianças entrando no mar pela primeira vez. Mas vão dizer que entrar numa água que vai te fazer boiar sem que você faça o mínimo esforço não é empolgante?

Logo que entrei, já fui percebendo que a viscosidade da água é maior do que o normal. A água parece ser mais espessa e oferecer mais resistência. Com calma, fui sentando na água e quando você menos espera, dá para sentir o empuxo (usei o termo físico correto?) te obrigando a flutuar. E não tem mesmo como afundar. Legal demais!!

A praia 


Do outro lado, as montanhas da Jordânia



Vamos lá conferir


Boiando


Adoramos a sensação


Não estou sentado no chão, estou flutuando nesta posição mesmo


Ein Bokek visto de dentro do Mar Morto




Quando saímos da água, a primeira coisa que notamos (além do arranhão no meu braço que ardia) foi a grande quantidade de sal depositada em nossa pele. Tudo que queríamos naquela hora era um chuveiro de água doce, que, felizmente, tinha ali (havia mais de um, aliás).

Olha a quantidade de sal na nossa pele...


E nas nossas mãos

Banho de água doce tomado (alívio!!), fomos ao banheiro, trocamos de roupa e estávamos prontos para entrar no complexo comercial ali ao lado para procurar algum restaurante para almoçar, antes de seguirmos para a parada de ônibus e retornar à Jerusalém.

Fácil, prático e divertido. Não há desculpas para não ir ao Mar Morto, uma vez estando em Jerusalém.

Se eu teria feito algo diferente neste passeio? Provavelmente teria me hospedado em Ein Bokek. Explico: no dia seguinte, pegaríamos um ônibus de Jerusalém para Eilat, cidade mais ao sul de Israel, de onde atravessaríamos a fronteira até a Jordânia. E adivinha qual o caminho deste ônibus?Exatamente pela orla do Mar Morto, passando, inclusive, por Ein Bokek.

Então, teria sido mais lógico ir de Jerusalém para Ein Bokek, dormir lá e, no dia seguinte, seguir viagem até Eilat. Mas pelo menos posso passar a dica agora para quem estiver pretendendo fazer o mesmo roteiro que a gente.




OBS:
1. Os preços indicados neste post correspondem aqueles em vigência na época da viagem. Recomendo pesquisar novamente os valores das atrações na época da sua viagem.



2. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio




16 comentários:

  1. Meninos o post tá incrivel, eu vou sair de Jerusalem pra Ein Bokek, mas li que essa praia não tem a famosa lama, vocês a viram?
    outra duvida, como também vou pra Eilat pra cruzar pra Jordania queria saber se vocês viram o horario do onibus saindo de Ein Bokek para Eilat?
    Parabens pelo blog.

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  2. Olá! Que bom que o post está sendo útil! �� Nós vimos alguns turistas tomando banho de lama. Se eles não levaram a lama de outro local, devem ter pego lá. Infelizmente, não sabemos o horário do ônibus, mas acredito que vc consiga está informação na própria rodoviária de Jerusalém, no guichê da empresa de ônibus. Boa sorte e boa viagem! ��

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  3. Nossa que post legal! Adoro saber como visitar as coisas por conta! Gostei dessa alternativa de Jesuralem até o Mar Morto, tá muito bem explicadinho, eu que não tinha ideia agora já sei como fazer... preciso ir!

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  4. Nossa quanta coisa sobre o mar morto que eu nem imaginava que existia.. hotéis, centro comercial, achei que era no meio do nada no deserto. E como é linda a "orla", deve ser o máximo flutuar sem querer. Adorei o post completinho!

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  5. Paraaa tudo!! Amei em saber que podemos ir, por conta própria, ao Mar Morto. Detesto essas agencias engessadas, onde nao ha tempo livre para curtir os lugares que mais gostou. Estou ligada de que precisa avisar ao motorista onde precisamos descer, que aliás, eles parecem ser bem atenciosos, deixando os turistas no lugar mais próximo.

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  6. Adorei o seu post! Sempre tive muita curiosidade e vontade de conhecer a região de Jerusalém e isso inclui, claro o Mar Morto! Tive uma experiência parecida no Deserto do Atacama na Laguna Cejar, que também tem uma alta salinidade e realmente a sensação é incrível! Você ficou o dia inteiro nessa praia?

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    1. Oi Silvia! O dia inteiro não, pois não faz muito o nosso estilo passar o dia numa praia, muito menos com o incômodo causado pelo excesso de sal! rsrsrs

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  7. Adoro roteiros por conta própria! E achei muito interessante saber sobre a concentração de sal de lá! Não fazia ideia nem de que era um lago (acho que matei essa aula de história). Deve ser uma viagem inesquecível!

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  8. Adorei saber que é fácil visitar independente. Sempre que possível, eu gosto de ter mais liberdade também. Me imagino tendo uma reação igual a de vocês: parecer criança boiando. hahaha. Depois de sair da água, o sal incomoda muito pelo visto, né?

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    1. Incomoda sim! Ainda bem que tem os chuveiros de água doce. Indispensáveis!

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  9. O título do post "visitar por conta própria" me atraiu. Prefiro zilhões de vezes ter a liberdade de visitar lugares sem aquela pressão de tempo que os guias fazem. Quanto ao Mar Morto, não havia lido nada a respeito, foi bem inédito para mim essa leitura. Imagino que tenha sido uma viagem inesquecível1

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  10. Tô com a expectativa de conhecer uma coisa parecida no Deserto do Atacama, na Laguna Cejar... Mas, gente, o Mar Morto é o Mar Morto! Desde criança ouvindo nas aulas de geografia sobre esse lugar, sempre com o adendo de que não é um mar, é um lago. Mítico visitar esse lugar! E ainda por conta? Perfeito.

    Acho que o maior medo seria ingerir água, o melhor é mesmo não mergulhar. Ótima dica!

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  11. Que demais!! Você sabe que adoro suas viagens né! Adoro ler seus posts porque tenho muita vontade de ir pra vários lugares que você já foi! Israel e Jordânia está demais na minha lista! Quero tentar fazer essa viagem junto com o Egito!! Mas então, o mar morto parece demais! E adoro dicas de coisas que posso fazer sozinha hehe! Deve ser muito legal entrar num água que não afunda! Ainda não tive essa experiência mas quero muito.

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  12. Nossa tenho praticamente uma viagem planejada pra esses lugares também mas ainda não fui. Tava com passagem comprada uma época mas tive um problema e desmarquei. Mar Morto está na minha bucket list! Mas não sabia desse lugar melhor pra ir, já vou deixar anotado, assim como a sua dica de dormir aí e depois seguir viagem no dia seguinte! Realmente é bem melhor! Adorei o post! Ta me dando ainda mais vontade de conhecer.

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  13. Tenho muita vontade de fazer essa viagem, mas nunca deu certo. Mar Morto está na minha listinha faz um bom tempo e Adorei saber que é possível visitar por conta própria, pois acho que assim dá p/ curtir com mais calma, principalmente um lugar como esse. Adorei!

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  14. Olá, Achei essas dicas super bacanas, estamos indo em breve. Gostaria de saber se é preciso pagar algo para usar os chuveiros, não encontrei nada referente a isso. Obrigado!

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