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sábado, 9 de dezembro de 2017

O que o turista precisa saber sobre Israel

Quando começamos a contar às pessoas que iríamos viajar para Israel era comum sermos surpreendidos por olhos arregalados e frases do tipo "vocês são loucos?". Parecia até que estávamos contando que iríamos visitar uma zona de guerra, que iríamos arriscar nossas vidas no meio da batalha entre judeus e palestinos, correndo o risco de levar uma saraivada de balas ou de ser explodidos enquanto dormíamos.

Mas, se você também tem essa imagem do país, pode ficar tranquilo. Israel está sim em constante tensão bélica com seus vizinhos, não podemos negar, mas isto não significa que ele é um país perigoso para seus visitantes. 

Na verdade, as zonas mais instáveis, no momento, são a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (veja no mapa abaixo), áreas de predominância palestina que não pertencem, oficialmente, ao Estado de Israel, mas que estão em constante conflito com o país. De quem é a razão, não cabe a nós determinar. Mas é, obviamente, prudente, manter-se longe destas áreas e aproveitar a tranquilidade (sim! Tranquilidade) em que vive o restante do país.

Afinal, em Tel Aviv, por exemplo, as pessoas vivem, normalmente, seus dias. Trabalham, estudam, passeiam em família, vão à praia. Em Jerusalém, inúmeros turistas, do mundo inteiro, invadem a cidade com o objetivo de conhecer a antiga cidade murada, sagrada para três grandes religiões do planeta. E todos entram e saem de forma segura, acreditem!

E, como cheguei à conclusão durante esta viagem: muito mais fácil levarmos um tiro durante um assalto em alguma grande cidade brasileira do que sermos bombardeados enquanto passeamos por Israel.

Tel Aviv, uma cidade moderna e segura, às margens do Mediterrâneo




Mapa de Israel, mostrando as regiões da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, locais que o turista deve evitar. Já as cidades de Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e Eilat, mostradas no mapa, entro muitas outras, podem ser visitadas tranquilamente.

Então, seja lá qual o seu motivo para conhecer Israel, deixe o medo de lado, arrume às malas, e vá!!

E qual foi o nosso motivo?

Sabemos muito bem que a principal razão para a maioria das pessoas viajarem para Israel é a religião. Jerusalém é um sonho para qualquer judeu, muçulmano ou cristão que enxerga a cidade como sagrada.

Então, antes de detalhar os nossos relatos, acho importante dizer que este não era o nosso motivo. Afinal, não somos religiosos (não, nós não somos ateus) e, portanto, você não lerá nenhum relato nosso falando em "como a energia de Jerusalém nos emocionou" ou algo do tipo.

O nosso motivo está mais relacionado ao nosso prazer em conhecer todos os pontos deste planeta, tendo o contato com diferentes culturas. Afinal, Israel é o único estado judeu do mundo. Além disso, Jerusalém tem um peso histórico indiscutível e, sem dúvidas, seria enriquecedor conhecer a cidade. Ou seja, não precisa ser cristão, islâmico nem judeu para querer conhecer Israel. Basta ser um apaixonado por viagens, por cultura ou por história.

A antiga cidade de Jerusalém

E, no quesito "destino turístico do mundo", o país nos surpreendeu positivamente. Excelente infra-estrutura (inclusive, para o turista), cidades encantadoras, passeios inesquecíveis. Durante uma semana, percorrendo o país, nos esbaldamos nas praias de Tel Aviv (as praias urbanas com melhor estrutura que já conhecemos no mundo). Aprendemos com a rica história presente nos muros e prédios antigos de Jerusalém. Flutuamos no Mar Morto bem no meio da região mais abaixo do nível do mar da superfície terrestre. Ficamos encantados com a bela filosofia da religião Bahá´í e o estonteante jardim da sua sede mundial na charmosa cidade de Haifa. Entramos no Mar Vermelho (não, ele não abriu!!) e ainda tivemos a chance de conhecer um pouco do país vizinho, a Jordânia.

No Bahá´í Garden em Haifa

Boiando no Mar Morto

E, desta forma, Israel foi enriquecedora em vários aspectos e, para ajudar aqueles que estão programando viver isto tudo, assim como nós, vamos detalhar todos os nossos passeios pelo país em posts posteriores (inclusive, muitos daqueles percorridos pelos mais religiosos).

Abaixo, listamos algumas dicas que julgamos essenciais para visitar Israel:

Israel é um país seguro?


Basicamente, do ponto de vista bélico, já dei esta resposta acima. Basta ficar longe da Faixa de Gaza e da Cisjordância que, dificilmente, você terá alguma surpresa. Mas vale ressaltar que a ausência de perigo para o turista, deve-se ao rígido controle de segurança empregado em todo o país.

Aeroportos, por exemplo, possuem um sistema de segurança que nos pareceu ainda mais eficiente do que o empregado nos Estados Unidos. Rodoviárias possuem revista e aparelhos de Rx logo na sua entrada. A imigração é bem mais atenta, especialmente, nas fronteiras com a Jordânia e o Egito. E é, extremamente, comum ver soldados armados indo e vindo, não apenas pelas ruas mas também em todo e qualquer ônibus intermunicipal que você pegue pelo país.

A princípio, tudo isso pode até deixar o turista inseguro, fazendo parecer que algo acontecerá a qualquer momento. Mas, na verdade, sua visão deve ser outra: o país se torna bastante seguro exatamente por este rígido sistema.

E não se assuste com o enorme número de soldados. Na verdade, isto ocorre porque todos os jovens israelenses, homens ou mulheres, devem prestar o serviço militar obrigatório (embora alguns sejam dispensados por motivos religiosos). Nos ônibus, por exemplo, especialmente, antes do final de semana, você verá muitos jovens soldados viajando, pois os mesmos estão indo passar os dias de folga em suas casas. No início, é, realmente, estranho para nós, mas logo você se acostuma.

Do ponto de vista de violência urbana, o país também nos pareceu super tranquilo. Não nos sentimos inseguros andando pelas ruas de Tel Aviv, por exemplo, embora eu não tenha encontrado dados sobre o tema na internet para melhor embasamento.

De qualquer modo, fica a dica: antes de programar sua viagem ao país, cheque as notícias sobre os conflitos na região. Afinal, existe sim uma tensão bélica constante, de modo que sempre vale à pena checar se as coisas continuam "em paz".

Como funciona a Imigração em Israel?

Como já antecipei acima, a imigração no país é bem rigorosa, especialmente, nas fronteiras terrestres, já que estas envolvem países islâmicos: Líbano, Síria (para os quais não é possível fazer a travessia por terra), Egito e Jordânia (para os quais, em alguns pontos, a travessia é permitida). Muitos turistas, como nós, atravessam a fronteira com a Jordânia para pode conhecer Petra. Essa travessia só é permitida em alguns pontos específicos, sendo o posto localizado em Eilat, cidade mais ao sul de Israel, o mais recomendado e tranquilo.

Fronteira entre Israel e Jordânia, na cidade de Eilat

Mesmo sendo o mais tranquilo, passamos por uma verdadeira sabatina quando estávamos voltando da Jordânia para Eilat, com direito a recolhimento dos nossos celulares e interrogatório individual (parecia até que éramos criminosos). E, embora tenha sido angustiante, em nenhum momento os oficiais da imigração foram antipáticos.

Ao final do sufoco, percebemos que é algo necessário para manter a segurança do país. Mas contaremos mais sobre o que passamos e o motivo deles terem desconfiado de nós em outro momento (será que temos cara de árabes? parecemos criminosos para vocês??).

No aeroporto de Tel Aviv, pelo qual chegamos a Israel, o procedimento foi semelhante ao de outros países, embora tenhamos percebido um maior cuidado da oficial, tendo ela, inclusive, feito um telefonema para checar alguma infirmação durante a nossa entrevista (que, inclusive, foi em dupla, para nosso alívio). O que ela falou, em hebraico, ao telefone, jamais saberemos. Só sei que entramos em Israel sem maiores dificuldades. Claro que nem preciso dizer que é preciso ter todos os documentos em mãos (passagens, reservas de hotéis, seguros). Ela olhou tudo.

A surpresa maior ficou para quando retornamos ao aeroporto para pegar o voo de volta. Na entrada, o táxi teve que parar em um posto para um oficial checar nossos passaportes. Antes de entrar na fila de check-in, mais oficiais checaram novamente nossos documentos. Técio teve a péssima ideia de manter o ticket de entrada a partir da Jordânia entre as folhas do passaporte, o que, mais uma vez, gerou uma série de perguntas do motivo de termos entrado em Eilat a partir do país vizinho. Mas foi bem mais rápido e tranquilo do que o interrogatório da fronteira.

Enfim, é possível perceber que os oficiais de imigração são bem atentos e eficientes, de modo que é sempre importante ter todos os documentos comprobatórios em mãos e saber bem todo o seu roteiro pelo país.

Qual a moeda utilizada em Israel?


O país judeu conta com a sua própria moeda, o novo shekel (referido com a abreviatura NIS)  que, no momento em que escrevo este post, equivale a 0,93 centavos de real. Ou seja, as duas moedas são, praticamente, equiparadas. Mas não se engane: o custo de vida em Israel é bem caro, o que acaba se refletindo na vida do turista.

Achamos tudo bem caro por lá, especialmente, a hospedagem. Em Tel Aviv, por exemplo, optamos por alugar um cubículo pela Airbnb, já que foi o melhor custo-benefício que encontramos. Portanto, prepare o bolso.

A princípio, você pode se atrapalhar um pouco com o dinheiro, como é comum sempre que entramos em contato com uma moeda nova. Demorei a conseguir, por exemplo, diferenciar as moedas do país. Explico:

1. As moedas que correspondem a centavos (ou agora como é dito por lá) são duas: a de 10 e a de 50, sendo que, nesta última, não há o número 50 gravado, mas sim o 1/2 indicando que corresponde a meio shekel. Ambas moedas são douradas em toda a sua circunferência.

2. As moedas que correspondem a shekel são 4: as de 1, 2, 5 e 10 shekel. A maior confusão aqui era diferenciar a moeda de 10 agora com a de 10 shekel. Para fazer a distinção, saiba que a última tem um halo prateado em volta de um centro dourado, diferente da de 10 agora que é toda dourada. As demais moedas, de 1, de 2 e de 5 shekel são inteiramente prateadas.

Obviamente, antes de conseguir fazer a distinção e entender a moeda de 1/2 shekkel, nos atrapalhamos bastante no momento de pagar as contas. Frequentemente, pagávamos algo que custava 10 shekel com a moeda de 10 agora.

A moeda de 10 agora que corresponde ao "centavo" (acho que agorot, que está escrito na moeda, é a forma plural da palavra)

A moeda de 10 shekel

Para fazer o câmbio, levamos dólares e realizamos a troca no próprio aeroporto, logo na nossa chegada.

Como é a tomada em Israel?

Melhor do que tentar descrever, é mostrar uma foto:

Tomada em Israel

Todos os israelenses falam inglês?

Para nossa surpresa, a resposta é não. Considerando que Israel é constantemente elogiada por seu excelente sistema de educação, nós imaginávamos que todos falariam inglês, mas encontramos algumas pessoas que não entendiam a língua e falavam apenas hebraico, o seu idioma oficial. Mas calma: a maioria das pessoas falam inglês e você irá conseguir se comunicar. Mas não são todas, incluindo alguns jovens.

No primeiro café que entramos, por exemplo, para fazer nosso desjejum no primeiro dia, nenhum funcionário falava inglês e o cardápio estava todo em hebraico. E, se você já teve algum contato com o idioma, sabe que eles tem um alfabeto próprio, ininteligível para nós (além da escrita ser feita em sentido inverso, assim como no árabe). Imagina aí a dificuldade que foi para escolher o que comer.

Quem aí decifra? Até parece que o cardápio está de cabeça para baixo, não é mesmo?

Saímos do café até assustados, achando que seria bem difícil a comunicação, mas foi apenas falta de sorte inicial. Em, praticamente, todos os outros estabelecimentos que visitamos, encontramos pessoas falando o inglês.

Enfim, nem todos falam inglês, mas você conseguirá se comunicar.

O difícil vai ser entender as placas

O que é o Shabat?

O shabat é o período de 24 horas que vai do por do sol da sexta-feira até o por do sol do sábado, considerado sagrado para os judeus e durante o qual, portanto, ninguém trabalha ou estuda. E, como Israel é um estado judeu, o shabat é oficialmente o período em que tudo para no país.

E por que o turista tem que saber disso? Porque quando eu digo que tudo para, isto inclui os sistemas de transporte, as locadoras de veículo (exceto as do aeroporto), lojas e mercados. Portanto, é fundamental que você escolha muito bem onde estará e o que irá fazer durante o shabat, pois os deslocamentos entre as cidades, por exemplo, é mais difícil (embora não impossível) e alguns locais turísticos podem estar fechados (recomendo que cheque com antecedência).

Como se deslocar em Israel?

Há, basicamente, cinco formas de se deslocar entre as diferentes cidades do país:

1. Avião: a El Al é a principal companhia aérea de Israel e pode ser uma opção para interligar as cidades mais distantes umas das outras, embora eu não ache que deva ser a sua primeira opção. Israel é um país pequeno e as distâncias terrestres não são muito grandes. E só o tempo que você gastará se deslocando até o aeroporto e com os procedimentos de embarque, já faz esta opção não valer à pena.

2. Ônibus: a linha rodoviária de Israel interliga todas as suas principais cidades, com um grande número de horários a cada dia. Entre Tel Aviv e Jerusalém, por exemplo, duas das cidades mais visitadas do país, são apenas 70 Km de distância (alguns turistas, por exemplo, chegam ao país pelo aeroporto de Tel Aviv e, de lá, já vão direto para Jerusalém). O trecho mais longo que percorremos de ônibus foi de Eilat para Tel Aviv, já que cerca de 350 Km separam as duas cidades, mas foi um trajeto tranquilo e confortável de cerca de 4:30h.

Terminal Rodoviário de Tel Aviv

3. Trem: embora o sistema ferroviária não abranja todo o país, a estação de trem de Tel Aviv conecta a cidade com outros importantes centros turísticos de Israel, como Jerusalém e Haifa. O valor não é tão mais caro do que o cobrado pelos ônibus, mas o trajeto para Jerusalém, por exemplo, costuma demorar de 20 a 30 minutos a mais, de forma que muitos acabam optando pelo ônibus.

Tanto os ônibus quanto os trens param durante o shabat.

4. Sherut: a única opção de transporte público terrestre se você tiver que ir de uma cidade para outra durante o shabat. São vans (oficiais) que partem de locais específicos em cada cidade, só saindo, em geral, quando estão lotadas. Além dos trechos intermunicipais, fazem também o transporte dentro das cidades, já que até os ônibus urbanos costumam parar durante o shabat. O destino de cada sherut é escrito na frente da van, mas, em geral, está em hebraico. Então, basta chegar falando o nome da cidade para a qual você quer ir que algum motorista vai te indicar a van correta.

Os sheruts, em geral pintados de amarelo e branco, concentrados ao lado do terminal rodoviário de Tel Aviv em pleno shabat


5. Carro alugado: na nossa opinião, a melhor forma de se deslocar pelo país. As estradas são boas e seguras, bastando apenas obedecer o limite de velocidade, claro. Os sistemas de GPS funcionam muito bem em Israel (inclusive, o aplicativo Waze foi criado por lá). A desvantagem é o alto custo desta forma de transporte (lembra que falei que Israel é um país caro?).

Inclusive, nós iríamos alugar um carro para se deslocar pelo menos durante o shabat (queríamos muito conhecer Haifa, Acre e Hosh Hanikra partindo de Tel Aviv). Mas desistimos quando vimos o valor (que, aliás, limitava a quilometragem) e acabamos conhecendo apenas Haifa, já que ficamos limitados aos sherut.

Obviamente, mesmo sendo um país pequeno, não foi possível conhecer tudo que queríamos. Considerando o peso histórico de Israel, há muita coisa para se ver. Queríamos ter conhecido a zona arqueológica de Cesárea, às margens do Mediterrâneo, a cidade antiga de Acre (por onde passaram os Templários durante as Cruzadas), as belas formações rochosas de Hosh Hanikra, ao lado da fronteira com o Líbano e a mística cidade de Nazaré, onde nasceu Jesus Cristo. Mas era muita coisa e tivemos que fazer escolhas.

E, assim, nas próximas postagens, detalharemos nossa passagem por 4 cidades, Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e Eilat, assim como nossa experiência no Mar Morto. Quem vem com a gente?


OBS:
1. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

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