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domingo, 19 de agosto de 2018

Como é dirigir pela Patagônia

Enquanto montava o nosso roteiro pela Patagônia, logo percebi que alugar um carro facilitaria muito nosso trajeto entre as cidades que visitaríamos, além de nos dar liberdade e flexibilidade com nosso tempo, sem depender de horários fixos de ônibus ou de tours guiados. E, como iríamos viajar com uma amiga, ficaria mais barato o aluguel e o combustível do que se viajássemos apenas nós dois.

E, assim, decidimos por alugar carro em Punta Arenas, no Chile, e de lá, seguir para Puerto Natales e Torres del Paine, atravessando, então, a fronteira com a Argentina para seguir até El Calafate. Ao final, voltaríamos dirigindo a Punta Arenas, onde devolveríamos o carro. E foi exatamente assim que fizemos, dando tudo certo ao final.

Dirigindo pela Patagônia Argentina, já próximo de chegar a El Calafate


E valeu à pena? Com certeza, valeu! Primeiro porque a flexibilidade que tivemos com o carro, nos permitiu otimizar nosso roteiro de tal forma que conseguimos conhecer tudo que havíamos planejado. Segundo porque percorrer o Parque Nacional Torres del Paine de carro próprio nos permitiu aproveitar as belas paisagens do lugar no nosso ritmo, parando e fazendo o que queríamos.

Dirigindo por Torres del Paine

Mas, obviamente, considerando o fato de estarmos falando de uma região isolada do planeta, surge um certo receio quando se pensa em sair dirigindo por conta própria por lá. De forma que separamos algumas questões para sanar as dúvidas de quem pensa em fazer o mesmo, mas está cheio de dúvidas.

1. Onde alugar o carro?


As grandes empresas de aluguel de carro do mundo têm sede na Patagônia, havendo mais de uma opção nas principais cidades tanto argentinas quanto chilenas. Assim, você conseguirá alugar um carro seja em Ushuaia ou El Calafate, na Argentina, seja em Punta Arenas ou Puerto Natales, no Chile.

Como nosso voo de volta ao Brasil sairia de Punta Arenas, resolvemos alugar o carro no seu centro, devolvendo no aeroporto da cidade. Vale lembrar que, se você optar por pegar o carro em uma cidade e devolver em outra, provavelmente, pagará uma taxa extra por isso. 

Após pesquisar em mais de uma locadora, acabamos optando pela Hertz e, felizmente, não tivemos nenhum problema com a nossa reserva ou com o carro fornecido.



2. É preciso alugar um carro grande?


Considerando que, uma vez com o carro, você provavelmente percorrerá parques nacionais, conduzindo em meio à natureza, é natural pensar que, talvez, seja preciso locar um carro grande ou até mesmo um 4x4. Mas não há esta necessidade.

Alugamos um Accent, da Hyundai, que coube, perfeitamente, a nossa bagagem e não nos deixou na mão em nenhum momento. Mesmo as estradas não asfaltadas que percorremos eram tranquilas.

Nosso carro, já ao final da viagem. Sujo, mas inteiro!!

Vale ressaltar, no entanto, que fomos durante o verão, de forma que não sei dizer se, no inverno, faz-se necessário um carro maior (embora saibamos que há cuidados especiais para se dirigir na neve). De qualquer modo, choveu durante a nossa passagem por lá (é no verão quando mais chove na Patagônia) e, em nenhum momento, fez-se lama suficiente para atrapalhar a nossa condução.

Estrada em Torres del Paine após a chuva


3. É necessário algum documento especial para atravessar a fronteira entre Chile e Argentina de carro?


A resposta é sim! Não basta reservar e pegar seu carro no dia marcado. Caso você pretenda atravessar a fronteira entre os dois países, seja lá de qual lado estiver, será necessário emitir uma documentação específica que deverá ser mostrada nos postos de controle.

Mas como, exatamente, tirar esta documentação? A boa notícia é que, uma vez alugando o carro, é a locadora que providencia a papelada e te entrega no dia junto com o veículo. Mas, obviamente, ela precisa saber da sua intenção de atravessar a fronteira para ela poder providenciar os documentos necessários.

Para isso, uma vez realizada a reserva online, você deve entrar em contato com a locadora para informar sobre a sua pretensão e solicitar a emissão da documentação. Nós procuramos o e-mail da agência na internet e resolvemos tudo com esta forma de contato. Mas se não encontrar nenhum e-mail, pode também telefonar diretamente para lá. E, por este motivo, não recomendo que deixem para alugar o veículo em cima da hora, já que não sei se eles têm como providenciar toda a papelada em cima da hora.

A agência da Hertz do centro de Punta Arenas, com a qual fizemos a reserva, respondeu prontamente o nosso e-mail, listando as informações que deveríamos enviar para dar entrada no processo, a saber:

a. Nome completo, tipo e número do documento de identificação (passaporte) do condutor
b. Número e nacionalidade da habilitação
c. Número de passageiros que viajaria no veículo
d. Tempo de duração que desejaríamos ter a permissão: 1 a 15 ou 16 a 30 dias
e. Data de início da permissão (correspondente ao dia pretendido para atravessar a fronteira pela primeira vez)
f. Número de reserva do veículo

Enviamos todas as informações, sem a necessidade de mandar nenhum documento e, no dia, o funcionário nos entregou toda a documentação em mãos sem maiores problemas. A má notícia é que a emissão desta permissão não é gratuita, cobrando-se 120 dólares se você a quiser por até 15 dias ou 206 dólares se você a quiser por até 30 dias. Este valor foi cobrado no cartão de crédito junto ao valor referente ao aluguel e aos seguros inclusos.

Na hora de retirar nosso veículo em Punta Arenas, no entanto, o funcionário nos deixou apreensivos ao nos informar que os argentinos que trabalham na fronteira não gostam de brasileiros. Nós rimos na hora em que ele falou, mas fomos surpreendidos pelo semblante sério dele, erguendo a cabeça, nos olhando fixamente e dizendo: "É sério!"

Felizmente, a passagem pela fronteira foi tranquila e não percebemos nenhum tipo de má vontade por parte dos funcionários argentinos.

A fronteira que atravessamos é conhecida como Paso Internacional Cancha Carrera e, no lado chileno, fica no pequeno povoado de Cerro Castillo, já próximo a Torres del Paine. 

Posto de fronteira no lado Chileno, em Cerro Castillo

Seguimos para lá após sair do parque, paramos nosso carro antes da cancela, descemos com nossos passaportes e a documentação que comprovava a permissão para atravessar a fronteira com o veículo. No processo, há uma fila extra para poder mostrar esta documentação, mas não passamos mais de 15 minutos no posto de imigração e logo o funcionário abriu a cancela para passarmos.

Em pouco tempo, a estrada pavimentada do Chile era seguida pela estrada argentina de terra (a mudança de qualidade nas estradas foi logo percebida). Chegamos rapidamente ao posto de imigração argentina, onde devemos ter perdido uns 30 minutos, devido às filas.

Posto de fronteira no lado da Argentina (Paso Internacional Cancha Carrera)

Vale lembrar que não é permitido atravessar a fronteira com produtos de origem animal ou vegetal. Mas só tivemos nosso carro revistado na volta, já no posto chileno. De resto, o procedimento para retornar ao Chile foi bem semelhante, sendo necessário mostrar toda a documentação novamente. Então, guarde-a com cuidado.

Nada extra nos foi cobrado para atravessar a fronteira.

4. Como são as estradas na Patagônia?


No geral, as estradas são bem tranquilas, alternando trechos pavimentados com outros de cascalho ou de terra (estes últimos mais comuns dentro dos parques nacionais). De todo modo, a maior parte do nosso trajeto foi em estradas pavimentadas, com pouco movimento (afinal, não é uma região densamente habitada) e não duplicadas.

Mesmo percorrendo regiões pouco habitadas, a sinalização é adequada, especialmente do lado chileno. Aliás, as estradas chilenas se mostraram bem melhores do que as argentinas, uma vez que, na Argentina, não foi raro nos depararmos com buracos nas vias. Caímos em um, inclusive, e chegamos a acreditar que tinha furado nosso pneu. Felizmente, apenas entortou a calota. Só de pensar em ter que trocar pneu no meio do nada e sob aquele vento gelado já estávamos quase chorando.

Outro ponto a se destacar é que as paisagens na maior parte do caminho são monótonas e sem muitos atrativos. Não pense que toda a Patagônia é formada por belas montanhas entremeadas por lagos e bosques, como em Ushuaia e em Torres del Paine. Sua parte planáltica é desértica e possui pouca vegetação, destacando-se plantas rasteiras. Desta forma, os trechos entre Ushuaia e Punta Arenas (que fizemos de ônibus), Punta Arenas e Puerto Natales (que fizemos de carro) e Torres del Paine e El Calafate (que fizemos de carro) são bem monótonos e sem muitos atrativos.

A monótona paisagem da parte planáltica da Patagônia

Em compensação, as estradas próximas a Puerto Natales têm esta vista

E dois cuidados, o motorista deve ter enquanto dirige pela Patagônia: primeiro com os ventos. Afinal, o vento patagônico é famoso por sua intensidade e frequência, estando presente ao longo das estradas, de forma que o motorista tem que estar atento para não desestabilizar o veículo; segundo, com os animais que podem atravessar a pista.

Chegando em Torres del Paine, por exemplo, encontramos guanacos na beira da estrada (pausa para fotos). Já em El Calafate, foi onde mais nos estressamos na estrada, em decorrência das inúmeras lebres que habitam a região que vai até o Parque Nacional Los Glaciares. No caminho, é comum vê-las pulando no acostamento das estradas e, o pior, as atravessando, de modo que era bem triste ver os corpos de muitas atropeladas na pista. Por isso, dirigimos com muito cuidado, receando atropelar alguma. 

Guanacos na beira da estrada, já próximo a Torres del Paine


5. É preciso ter um GPS para se deslocar pela Patagônia?


Acho GPS algo fundamental para qualquer roadtrip. E, hoje, com os aplicativos de navegação para smartphones, ficou bem mais prático dirigir em lugares desconhecidos, não precisando ter que incluir um GPS no aluguel do carro.

Nosso receio na Patagônia, no entanto, era o sinal do celular não pegar (como não pegou em muitos trechos), nos deixando na mão. Mesmo assim, optamos por não deixar nosso aluguel ainda mais caro do que já estava e resolvemos arriscar. Felizmente, não tivemos problema.

Aproveitávamos o momento em que tínhamos sinal para calcular a rota e seguíamos o trajeto sempre conferindo as placas para nos certificar de que estávamos no caminho certo. E, assim, chegamos em todos os locais sem nos perdermos. 

Dentro do Parque Nacional Torres del Paine, foi onde o sinal do 3G mais no deixou na mão. Mas como são poucas as opções de estradas transitáveis lá dentro, o uso do mapa do parque entregue na entrada foi suficiente para nos orientar, mesmo sem o GPS.

6. É fácil encontrar posto de gasolina pela Patagônia?


Esta deve ser uma preocupação de qualquer turista que, assim como nós, resolve dirigir por esta parte do planeta. Afinal, como já falei antes, são grandes os trechos desérticos e pouco habitados, de forma que, em boa parte da estrada, você não encontrará um único posto de gasolina.

A dica, portanto, é: sempre encher o tanque na primeira oportunidade, especialmente, ao passar nas principais cidades da região.

Quando saímos de Puerto Natales, por exemplo, tratamos de completar o tanque ainda na cidade. Afinal, iríamos percorrer Torres del Paine com o carro e, de lá, seguiríamos direto para El Calafate. E não vimos mais nenhum posto de gasolina depois de Puerto Natales, nem mesmo na fronteira com a Argentina. 

Apenas na metade do caminho entre a fronteira e El Calafate que encontramos uma pequena cidade margeando a estrada e que tinha um posto, onde paramos para, novamente, encher o tanque.

Pelo que andei lendo, alguns hotéis de Torres del Paine, vendem galões de gasolina aos seus hóspedes, mas preferimos não arriscar e a gasolina que colocamos em Puerto Natales deu perfeitamente para chegarmos à Argentina.

Se quiser saber a distância entre cada uma destas cidades para ter uma ideia melhor de quanto combustível irá precisar, já detalhei isto no post em que mostramos como foi nosso roteiro pela Patagônia.

E se tiver mais alguma dúvida que não abordamos aqui, deixa aí nos comentários. Se soubermos responder, será um prazer ajudá-lo com sua roadtrip pela Patagônia.

Estrada entre Punta Arenas e Puerto Natales




OBS:
1. Os preços indicados neste post correspondem aqueles em vigência na época da viagem. Recomendo pesquisar novamente os valores das atrações na época da sua viagem.

2. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

13 comentários:

  1. Essa viagem deve ser linda, gostei de saber que foi tudo bem com carro alugado, e é verdade, que ele dá um conforto maior, e não tem a correira dos tours! Pelas fotos, a estrada pareceu ser muito maravilhosa!
    fiquei tensa com a questão da gasolina, mas vocês logo contaram!

    adorei essa viagem!

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  2. Alugamos um carro mais ao norte, para rodar nos arredores de Bariloche e fazer a rota dos 7 Lagos.
    ficoi bem mais barato e nos deparamos com paisagens igualmente lindas!
    quero saber um pouco mais dessa viagem, ela esta no meu radar!

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  3. Caramba, viajar de carro pela Patagonia deve dar uma liberdade a mais super boa né? Os preços da gasolina são caros por onde passou visto que não são tantos postos pelo caminho?

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    1. Não achei a gasolina tão cara quanto eu esperava não! mas tivemos a vantagem de dividir por 3, o que acabou aliviando bastante o nosso bolso!

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  4. Olá, tenho vontade de fazer uma road trip pela Patagônia, mas estou em dúvidas se vou desde o Brasil ou se alugo um por lá, esse seu post ajudou com muitas informações, qunt a habilitação, a CNH foi aceita de boa nos 2 países? ou vc tem alguma internacional?

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    1. Oi Tiago! Nós sempre levamos nossa permissão internacional para todos os países, exatamente para evitar esta questão de sempre checar se aceitam ou não a nossa CNH em determinado país. Mas tanto o Chile quanto a Argentina aceitam nossa CNH. No entanto, como estas leis são sempre passíveis de mudança, prefiro me garantir com a PID.

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  5. Com esse visual da estrada eu pararia em cada curva rs muito show. Post muito completo e com muito conteúdo relevante pra quem optar por alugar carro, eu com certeza farei isso, e tb a papelada para cruzar os países (Argentina e Chile)!

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  6. Nossa pra falar a verdade nunca imaginei que seria possível alugar um carro pra viajar pela Patagônia! Adorei a idéia, assim temos mais liberdade e conseguimos fazer as coisas do nosso jeito né! Parece super tranquilo de dirigir pelas fotos que você colocou! Adoro fazer road trips e essa é uma excelente sugestão!

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  7. Amigoss, difícil é conseguir se concentrar na estrada diante de tantas paisagens bonitas kkkk. Tenho muita vontade de fazer uma viagem assim de carro, só n teria coragem de fazer no inverno. abraços

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  8. Ótimo saber que é tranquilo dirigir por essa região. Já fiz de Santiago até Puero Varas de carro, e as estradas do Chile são fantásticas, mas não sabia se entrando na Patagônia também era bom! De qualquer forma, não vou arriscar nessa viagem porque vai ser inverno.. Acho que só no verão mesmo fico tranquila! Obrigada pelo relato.

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    1. Oi Livia! Nós também não ariscaríamos no inverno! Já durante o verão, foi bem tranquilo!

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  9. A gente também adora ter carro pra ter liberdade nas viagens.

    Eu não ia iaginar que as paisagens eram monótonas hahaha, achei que eram todas lindas cheio de montanhas mesmo. Que coisa! Mas o céu nas suas fotos também tava um arraso.

    Tem uma foto que você tirou que está belíssima. Tem essa legenda: "Em compensação, as estradas próximas a Puerto Natales têm esta vista". Com a água e umas flores amarelinhas. Uau!

    Gente, vento e animal na pista não era pra mim. Hahaha medo total.

    Adorei o post e todas as dicas. Parabéns!

    Bjs

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  10. Isso é algo que sempre quis fazer, alugar um carro para viajar pela Patagônia, porque acho que vale muito a pena essa flexibilidade de poder parar aonde eu quiser, mas sempre tive um pouco de receio por parecer bem difícil. Esse post está ajudando muito a entender as dificuldades que enfrentaria e como fazer. Já vou salvar aqui para quando programar minha viagem.

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