Menu

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Nosso roteiro pela Toscana

Uma das maiores e mais cobiçadas regiões da Itália é a Toscana, que permeia o imaginário de todo viajante com imagens de campos e colinas verdejantes, adornadas por ciprestes, parreiras e cidades medievais. Desta forma, evoca o romantismo ao fornecer ao visitante paisagens exuberantes, cidades aconchegantes e uma culinária de tirar o chapéu, regada a vinho e intercalada por deliciosos sorvetes.

Paisagem comum da Toscana

Não à toa, foi o destino escolhido, por nós, para a nossa lua de mel. Uma escolha que valeu à pena, não apenas pelo romantismo citado acima e confirmado durante a nossa passagem, mas também pelo fato da Toscana está intimamente relacionada à história e às artes.

Afinal, foi Florença, a capital da região, o berço do renascimento, trazendo à luz artistas célebres, como Michelangelo e Botticelli. Foi em Florença que viveu Dante Alighieri, responsável pela configuração do idioma italiano como o conhecemos hoje. Foi em Florença que Galileu Galilei revolucionou a ciência.

E a coincidência de tantas mentes brilhantes terem convergido para uma única cidade, acaba dando um ar místico à capital da Toscana, ao mesmo tempo em que aumenta o apelo em se visitar o berço de tanto conhecimento e talento.


A histórica Florença

Mas não apenas de Florença vive a Toscana. Pisa e sua famosa torre inclinada, Siena e sua histórica Piazza del Campo, Lucca e sua preservada cidade murada, Arezzo e seus prédios históricos são alguns exemplos de outras importantes cidades da região.

Torre de Pisa, um dos monumentos mais icônicos da Toscana

Além delas, destacam-se também pequenos vilarejos medievais fincados no alto de colinas que transportam o visitante para uma época muito antiga, quando diversos reinos se espalhavam por uma determinada região, construindo muralhas e torres para se defender. E, assim, San Gimignano, Pienza, Volterra, Montalcino, Montepulciano, entre outras, acabam também atraindo a atenção dos turistas.

A apaixonante Pienza, uma das cidades mais encantadoras que conhecemos na Toscana


Ao todo, a Toscana possui 10 províncias, cada uma contendo um número variado de comunas (as cidades). Florença, por exemplo, é o nome dado tanto à cidade citada acima, quanto a uma destas províncias que tem a própria Florença como capital. Da mesma forma, as províncias de Lucca, Pisa, Siena e Arezzo têm o mesmo nome das suas capitais.

Mapa mostrando a Toscana e suas 10 províncias. Retirado do wikipedia.com

Das 10 províncias, cinco são banhadas pelo Mar Mediterrâneo: Grosseto, Livorno, Pisa, Lucca e Massa-Carrara. Desta forma, praia também pode entrar no seu roteiro pela região, embora os vales e colinas do interior costumem atrair mais os turistas do que a parte litorânea.

Das cinco citadas, Massa-Carrara (província de cujas montanhas se extrai o cobiçado mármore carrara) é a que faz fronteira com a Ligúria, região italiana onde se encontra a desejada Cinque Terre. Desta forma, não é raro (e considero uma ótima ideia) o turista incluir esta última no roteiro pela Toscana.

Mas voltando para o interior da província, a natureza oferece muitas opções aos visitantes. Há montanhas nas quais se pode realizar trekkings, termas naturais para um banho relaxante, campos de girassóis durante a primavera e vales que podem ser percorridos de carro. Entre estes, destaca-se o Vale d´Orcia, considerado uma das partes mais belas da Toscana (e que possui aquelas paisagens típicas da região que encontramos durante nossas pesquisas na internet).

Conhecendo o Vale d´Orcia (local conhecido como Cipressi de San Quirico d´Orcia)


Portanto, deve ter dado para perceber que não falta o que fazer na Toscana, de forma que, dificilmente, você conseguirá fazer tudo em uma única viagem. Assim, ao montar seu roteiro em uma primeira viagem para a região, você precisa estabelecer prioridades: o que você tem mais vontade de conhecer? qual o seu objetivo principal? Arte? Praia? Vales com colinas verdejantes? Um pouco de cada coisa? Onde você quer passar mais tempo: nas cidades maiores ou nos pequenos vilarejos medievais?

Além disso, é preciso definir a forma como você irá querer se locomover pela região: carro? trem? agências de turismo? Ou você prefere focar em apenas uma cidade, montando base nela e fazendo apenas um ou outro passeio até uma outra cidade da Toscana?

No nosso caso, tínhamos como foco os vales e as pequenas cidades, mas sem abrir mão da beleza histórica de Florença, onde queríamos passar pelo menos dois dias. Como tínhamos, ao todo, seis dias na Toscana, sobravam quatro para dividir entre as outras atrações da região.

Confessamos, no entanto, que a ideia de passar um dia em Cinque Terre nos atraiu, de modo que acabamos preferindo tirar um dia inteiro para seguir até o famoso balneário italiano do que conhecer o litoral da própria Toscana. 

Também queríamos dedicar um dia inteiro ao Vale d´Orcia e a algumas das suas belas cidades medievais. Optamos por Pienza, considerada uma das  mais bonitas, e Moltalcino, famosa pela produção de vinho (embora a gente nem beba, ela estaria no caminho). 

Montalcino


E eu não abriria mão de forma alguma de conhecer San Gimgnano, já que ficara a frustração de não a ter conhecido na minha primeira viagem à Toscana, em 2011. Da mesma forma, uma rápida passagem pela icônica Torre de Pisa era uma exigência de Técio, que ainda  não a conhecia.

San Gimignano

Entre as cidades mais famosas, sobravam Lucca, Siena e Arezzo. E acabamos optando pela primeira, já que faria mais sentido dentro da logística do nosso roteiro.

Lucca

Escolhido os locais que visitaríamos, ficou claro que alugar um carro seria a melhor forma de fazer tudo, já que havíamos incluído diversos lugares no roteiro, muitos deles localizados relativamente distantes um do outro. Ainda mais considerando que as pequenas cidades não tinham acesso ferroviário e que detestamos passeios com agências de viagem por engessarem demais o nosso tempo.

Restava, então, definir em que locais iríamos nos hospedar. Como o romantismo era o foco da viagem, optamos por concentrar nossas pesquisas em locais mais bucólicos e afastados das cidades maiores (excetuando-se a hospedagem em Florença, claro).

Assim, reservamos uma casa medieval com anos de história no topo de uma colina na província de Lucca, nas nossas duas primeiras noites. O local se chamava La Magione dei Todaro e ficava na pequena comuna conhecida como Borgo a Buggiano, envolta de uma tranquilidade revigorante. 
Vista da janela do nosso quarto em Borgo a Buggiano, comuna da província de Lucca


Dormíamos imersos em um silêncio acolhedor quebrado apenas pelo sino da igreja medieval localizada ali próximo. E acordávamos com o som dos passarinhos que povoam a colina.

De lá, pudemos conhecer ainda a cidade de Lucca e seguir para Cinque Terre (localizada a cerca de 80 Km de Lucca).

Nas duas noites seguintes, nos mudamos para um excelente hotel, o Casolare Le Terre Rosse, localizado em meio a um bosque por onde passa a estrada que leva até San Gimignano. No caminho para lá, paramos em Volterra. E, de lá, conhecemos não apenas San Gimignano como também seguimos até o Vale d´Orcia, onde passamos um dia memorável por paisagens inesquecíveis.

Hotel Casolare Le Terre Rosse, nos arredores de San Gimignano


Por fim, fomos a Florença, onde finalizamos nosso roteiro pela Toscana. Como boa surpresa dentro do roteiro, tivemos Siena, que não entrara originalmente, mas onde resolvemos parar para jantar no caminho de volta do Vale d´Orcia. Afinal, a estrada passaria próximo a ela de qualquer forma e o sol estava se pondo após às 21 horas, o que nos daria tempo de andar um pouco pela cidade.

A bela Siena

Foi um tempo curto para uma cidade tão bela, mas que serviu para nos dar a certeza de que Siena será um dos nossos focos principais quando voltarmos à Toscana.

Em resumo, este foi o nosso roteiro pela região:

Dia 1: chegamos ao aeroporto de Pisa, onde alugamos o carro e fomos direto conhecer a famosa torre inclinada. Seguimos, então, para o Borgo a Buggiano, mergulhando na tranquilidade de uma antiga vila medieval no alto de uma colina.

Dia 2: dirigimos em direção à Ligúria, deixando um pouco a Toscana para visitar Cinque Terre. Deixamos o carro estacionado na cidade de La Spezia, onde pegamos o trem para seguir até as cinco vilas que formam o lugar. Na volta, seguimos de carro para Portovenere, ainda na Ligúria.

Dia 3: saímos do Borgo a Buggiano rumo à cidade de Lucca, localizada próxima. Depois, no caminho para San Gimignano, fizemos uma parada em Volterra. Finalizamos o dia conhecendo San Gigminano e se hospedando no maravilhoso Casolare Le Terre Rosse.

Dia 4: ainda pela manhã, pegamos a estrada em direção ao Vale d´Orcia, tendo, como primeira parada, uma pequena cidade que nem estava no roteiro: Buonconvento. Depois chegamos a Montalcino, onde almoçamos. De lá, seguimos para uma parte do vale conhecida como Cipressi de San Quirico d´Orcia e depois para um local de banho em águas termais, o Bagno Vignoni. A deliciosa Pienza foi nosso próximo destino. E, na volta para o hotel, ainda paramos em Siena, para jantar e ter uma amostra da cidade.

Banho de águas termais no Bagno Vignoni

Dia 5: saímos do hotel rumo à Florença, onde dormiríamos naquela noite. Devolvemos o carro e passamos o resto do dia passeando pela cidade. Ainda incluímos um passeio à noite, quando o movimento de turistas estava menor e não havia mais sol para torrar nossas cabeças, tornando mais agradável o passeio.

Passeando à noite por Florença

Dia 6: mais um dia todo dedicado a Florença. À noite, pegamos o trem para Milão, nos despedindo da Toscana.

E confesso que não foi nada fácil se despedir. Passamos dias memoráveis pela região e, sem dúvida, fazer o roteiro de carro foi a melhor opção, nos permitindo parar onde queríamos, moldando nosso tempo ao nosso próprio sabor. 

E por falar em sabor, que saudade da deliciosa comida italiana que experimentamos na Toscana. A dica é sempre fugir dos locais mais turísticos em busca de restaurantes frequentados pelos próprios locais. E, embora tenhamos errado algumas vezes, acertamos na maioria. Em especial nas pequenas cidades, onde a chance de acerto parece ser bem maior.

Se teve algo que gostamos na Toscana foi da comida

E o que falar dos gelatos italianos então? Não economizamos no sorvete. Afinal, são mesmo os melhores do mundo. Quando lembro dos de pistache, chego a salivar!

Saudade dos gelatos italianos

Por fim, deixo a dica de fazer tudo com calma e flexibilidade. Monte o seu roteiro, mas permita-se fazer mudanças no caminho. A Toscana é cheia de surpresas e não foi feita para ser percorrida às pressas. Pare o tempo que quiser (e precisar) naquela praça encantadora, naquele mirante arrebatador ou naquele restaurante delicioso. 

Mas do que ser conhecida, a Toscana existe para ser sentida... 



OBS:
1. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio



Nenhum comentário:

Postar um comentário