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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Encante-se também por Hallstatt

No nosso terceiro dia na Áustria, optamos por fazer um bate-e-volta a partir de Viena com destino a um destes lugares inesquecíveis e imperdíveis ao redor do mundo: o onírico vilarejo de Hallstatt. Localizada às margens de um lago, no meio de exuberantes montanhas, em um lugar abençoado pela natureza, Hallstatt é composta por charmosas casas tipicamente austríacas que abrigam seus poucos mais de 900 habitantes. De tão bela, uma réplica da cidade já foi construída em território chinês, o turismo tornou-se a principal atividade da região e, não à toa, a cidade é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.




Mas o vilarejo não é apenas famoso por sua beleza. Hallstatt foi por muito tempo um importante fornecedor de sal para a Europa, sabendo-se, atualmente, que é, no vilarejo, onde se encontra a mais antiga mina de sal do mundo, fato corroborado por escavações arqueológicas que encontraram, nas minas, um corpo datado de séculos antes de Cristo. Acredita-se que as minas já estavam em funcionamento desde o período neolítico, no século VIII a.C. De tão importante para a região centro-europeia, a cultura predominante durante a idade do Bronze na região ficou conhecida como Cultura de Hallstatt e deu origem à Idade do Ferro. 

Para chegar a este belíssimo destino austríaco, a cidade mais próxima é Salzburgo, mas você pode ir tranquilamente a partir de Viena, em uma viagem de trem que dura cerca de 3:30h. Durante os meses de alta temporada, com dias longos, haverá mais opções de passeios na cidade, incluindo uma visita à mina de sal, que pode ser acessada a partir de um funicular que sobe a montanha até um mirante com vista espetacular. Nesses meses, portanto, é recomendável se programar para passar mais horas na cidade e quem sabe até pernoitar por lá. Já nos meses mais frios, mais especificamente a partir de novembro, a mina encontra-se fechada e, assim, menos tempo pode ser dispensado na cidade que, de tão pequena, pode ser rapidamente percorrida. Desta forma, nesta época do ano, um bate-e-volta saindo de Viena ou de Salzburgo é perfeitamente possível. Infelizmente, como fomos à Áustria no mês de novembro, não tivemos a oportunidade de visitar a mina de sal. Motivo para fazer o enorme sacrifício de voltar um dia, concorda?

Programamos nossa ida a Hallstatt com antecedência, comprando a passagem de trem pelo site da companhia ferroviária austríaca ÖBB. Deixar para comprar as passagens de última hora pode significar preços bem mais salgados. Aliás, mesmo com antecedência, os valores de trem para Hallstatt costumam ser bem mais caros do que para outros destinos da Áustria. Infelizmente, não encontrei opções de ônibus para o trajeto. Você pode, obviamente, contratar alguma excursão com agências de turismo, mas, neste caso, certamente, o custo sairá bem mais alto do que ir por conta própria.

Os trens para Hallstatt costumam sair da Estação Ferroviária de Westbahnhof (falo mais sobre as estações de trem de Viena neste post). Durante o trajeto, é necessário trocar de trem, em geral, na Estação Attnang-Puchheim Bahnhof, após cerca de duas horas de viagem (mas dependendo do horário de saída escolhido, mais de uma conexão pode ser necessária). Os trens são confortáveis, mantendo o padrão europeu, e as paisagens que surgem no caminho, especialmente, na metade final do trajeto são deslumbrantes. Para melhor apreciar a vista, sente-se em algum assento da esquerda do vagão. No entanto, quando estiver a 5 minutos da chegada, tente trocar para o lado direito, pois as vistas que surgirão, incluindo o próprio vilarejo de Hallstatt ao fundo, serão de tirar o fôlego!!

A caminho de Hallstatt



Chegando na estação final (na verdade uma pequena casa, sem nenhum funcionário, à beira do trilho de trem), será preciso ainda pegar um barco que fará a travessia do lago até o vilarejo. Mas não se preocupe: os horários dos barcos são organizados de acordo com os horários dos trens e o barqueiro sempre estará lá, no píer do lago, a sua espera no momento em que você (e os outros inúmeros turistas) descer do trem.

Estação de trem de Hallstatt



Saindo do trem, basta seguir o único e curto caminho existente em direção ao lago que você sairá exatamente no píer, onde o barco aguarda os passageiros. A travessia custa 2,50 euros (cada trecho), quantia que deve ser paga diretamente ao barqueiro. Pronto!! Agora basta pegar o melhor lugar do barco (de preferência na parte de fora) e se deixar deslumbrar pela paisagem ao redor e pelo pequeno vilarejo, cuja beleza se agiganta nos seus olhos à medida que o barco vai se aproximando da margem contrária. São apenas cerca de 7 a 10 minutos de travessia, mas que se tornam extremamente emblemáticos na vida de um turista...

Curto caminho entre a estação e o píer

A pequena Hallstatt vista a partir da travessia no barco





Mas ao descer do barco, cuidado para seu deslumbramento não te deixar esquecer de checar os horários de retorno do barco que se encontram afixados no próprio píer. Sabendo o horário que seu trem de volta passará, basta escolher o respectivo horário de travessia. Abaixo, mostro estes horários para quem quiser se programar com antecedência. Detalhe importante para aqueles que querem enviar rapidamente para alguém alguma foto deslumbrante já captada no lugar: há WiFi gratuito e de boa qualidade no píer.

Horários nos quais o barco retorna à estação de trem

Mas e agora? O que fazer em Hallstatt? A melhor dica é: esqueça qualquer mapa e saia sem destino por suas ruas. Aliás, não há necessidade de mapa ali. O vilarejo é muito pequeno e todas suas ruas são repletas de charme, ainda mais emolduradas por toda aquela paisagem. Como não podia deixar de ser em uma cidade europeia, mesmo as menores, há uma igreja bem no centro (e bem próxima ao píer de chegada). Há também um museu, no qual não entramos, mas que parece fazer referência às inúmeras escavações arqueológicas realizadas na região. 


Torre da igreja do centro


Pelas ruas de Hallstatt




Atrás desta pequena igreja no topo, fica o ossário, sobre o qual falo mais abaixo

Praticamente em frente à igreja central, há uma ruela de pedras que leva ao caminho até o excêntrico ossário da cidade, uma pequena sala onde estão expostos crânios de habitantes do vilarejo, inscritos com o nome, data da morte e profissão do seu antigo dono. Placas indicam o caminho até uma escadaria que nos leva até uma pequena igreja. Atrás desta, estará um cemitério e o ossário. A entrada custa 1 euro, mas o local encontrava-se fechado no dia da nossa visita. Para alguns, esta será uma atração mórbida e dispensável; para outros, será algo válido pela curiosidade. De qualquer forma, vale a pena subir até o local pela vista que se tem de lá. 

Placa indicando o caminho até o ossário (Beinhaus significa ossário em alemão)
Ossário (fechado neste dia)

Vista a partir do pátio onde se localiza o ossário


Para aqueles que estiverem visitando Hallstatt entre abril e outubro, certamente, vale a pena visitar o interior da mina de sal (mais informações, como custo e datas de funcionamento, no site oficial). Para chegar até o funicular de acesso, basta seguir à esquerda (estando de costas para o lago) e prestar atenção ao surgimento da seguinte placa que indicará o local:


Funicular que leva até o alto da montanha e à entrada da mina de sal (pena que estivesse fechado, não nos permitindo nem mesmo acessar o mirante lá em cima, cuja vista deve ser espetacular)

Cuidado!! Não se confunda com esta outra placa abaixo, que leva para algum outro local:



Ficamos perdidos por um tempo seguindo esta outra placa. E para quem está se perguntando o motivo de estarmos procurando o teleférico, uma vez que a mina estava fechada, uma vendedora de uma loja havia nos dito que a mina ainda estava aberta e, assim, fomos à procura cheios de esperança. Mas, infelizmente, ela estava enganada!

Aliás, seguindo por esse caminho até o teleférico, após uns 5 minutos de caminhada, pare e olhe para trás. As vistas para a cidade a partir deste ponto são lindas!!




Pela cidade, há também inúmeras lojas de souvenir (não resisti e comprei uma pedra de sal, já que não poderíamos mesmo visitar a mina) e lojas com belíssimos produtos artesanais de madeira (foi difícil não comprar mais do que deveria!! Tudo muito bonito e bem feito!!).









Lugar lindo... perfeito... inesquecível...

Foram apenas 3 horas no vilarejo, mas suficientes para nos encantar por toda uma vida!!


OBS:
1. Os preços indicados neste post correspondem aqueles em vigência na época da viagem. Recomendo pesquisar novamente os valores das atrações na época da sua viagem.
2. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

2 comentários:

  1. como vc fez para voltar a vienna? comprou a passagem com antecedência? As conexões são complicadas?

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  2. Olá!Nós compramos online, com antecedência. As conexões são tranquilas. Não tem erro!:)

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