Menu

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Roteiro de carro pelo Val D´Orcia, na Toscana

Sabe quando você digita "Toscana" no google e aparecem aquelas imagens cinematográficas que fazem dez em cada dez viajantes suspirarem enquanto sonham em viajar para a Itália? Pois boa parte destas imagens clássicas da região pertencem ao chamado Val d´Orcia, pedaço da Toscana que se estende ao sul de Siena.

Portanto, se você quiser se deslumbrar ainda mais em um passeio por esta região italiana, não deve deixar de fora o Val d´Orcia, repleto de colinas verdejantes adornadas pelos típicos ciprestes e salpicadas por pequenos e charmosos vilarejos. Entre estes, Montalcino, famoso pelo vinho lá produzid,o e a encantadora Pienza.

Val d´Orcia visto da cidade de Pienza


Como estas cidades são pequenas e desprovidas de estações ferroviária, conhecê-las de carro acaba sendo a melhor opção. Até porque, assim, você conseguirá aproveitar melhor as belas estradas, além de otimizar o seu tempo. Como cidade base, você pode escolher Siena. No nosso caso, estávamos hospedados em San Gimignano e foi de lá que partimos com nosso carro rumo ao Val d´Orcia.

Nossa maior dificuldade, no entanto, foi escolher onde parar durante nosso trajeto. 

Para os amantes de vinho, Montalcino não pode ficar de fora do roteiro. Afinal, é de lá que vem o famoso Brunello e o que não falta na cidade são lojas especializadas na bebida. Embora nem eu nem Técio tome vinho, visitamos a cidade mesmo assim, já que a sua beleza também é um convite aos viajantes.

Pienza, por estar localizada mais distante, nem entraria, inicialmente, no nosso roteiro, mas uma amiga acabara de voltar da região e fez tanta propaganda sobre esta cidade que acabamos a incluindo. Resultado: foi a nossa preferida de toda a Toscana.

Montepulciano, também famosa por seus vinhos, e Radicofani, considerada uma das mais bonitas da região, são outras comunas que podem fazer parte do seu roteiro, mas que tiveram que ficar de fora do nosso.

Além das comunas que surgem imponentes no topo das colinas da região, o Val d´Orcia possui também águas termais que formam piscinas naturais de acesso público ou privado. E não podemos esquecer dos belos ciprestes que você, certamente, irá querer fotografar. Para isso, você pode fazer uma parada do chamado Cipressi di San Quirico d´Orcia, como explicarei mais abaixo.

Cipressi di San Quirico d´Orcia

E, obviamente, algumas surpresas irão surgir no seu trajeto. No nosso caso, isto ocorreu com a simpática Buonconvento, cidadezinha que nem estava no nosso roteiro, mas onde acabamos parando atraídos por uma feira local, da qual acabamos saindo com um quilo de cerejas frescas. Garantimos o lanche do resto do dia.


Uma parada inesperada em Buonconvento


Como já deixamos claro acima, a parada nesta comuna da Toscana não foi planejada. Havíamos saído de San Gimignano no início da manhã quando, a caminho de Montalcino, demos de cara com uma pequena cidade onde, à beira da estrada, formara-se uma típica feira de sábado.

Não pensamos duas vezes e paramos o carro no estacionamento público que logo vimos no local. Nosso objetivo real era encontrar cerejas, numa clara tentativa de emular nossa roadtrip pela Provença que foi adocicada por esta fruta que tanto gostamos. E tivemos sorte, encontrando cerejas lindas, saborosas e muito baratas.

Mas enquanto comprávamos nossas cerejas, percebemos que, atrás de nós, havia um claro resquício de uma antiga muralha medieval. Buonconvento, antigamente, havia sido toda envolta por aquela muralha. E se tinha muralha protegendo um borgo medieval, seu conteúdo não poderia ser decepcionante. E, assim, resolvemos entrar um pouco na cidade.

Considerando seu pequeno tamanho, nossa visita foi rápida, mas valeu à pena. Percorremos sua principal rua histórica, a Via Soccini, saindo em um dos portões da muralha antiga, a Porta Senese.

Parte do que sobrou da antiga muralha de Buonconvento


Via Soccini


Antiga Torre do Relógio


Um agradável passeio pela antiga rua medieval


Porta Senese vista de dentro da cidade


Porta Senese vista de fora


O tempo na comuna foi curto, mas suficiente para admirar sua beleza


Passeando por Montalcino


Devorando as cerejas recém-compradas, seguimos viagem com destino a Montalcino. Esta comuna fica acima de uma colina, como é típico na região, e não recomendamos que você estacione o carro na base da colina se não quiser subir ladeiras. Afinal, a parte da cidade de maior interesse está no alto.

No entanto, não foi fácil encontrar vaga lá no topo. O estacionamento melhor localizado é o que fica ao lado da Rocca di Montalcino, uma das principais atrações da cidade. Mas como é bem pequeno, já estava bem cheio. Seguimos, então, pela Via Pietro Strozzi até encontrar um grande estacionamento: o Parcheggio Pietro Strozzi. O esquema de pagamento é com máquinas de auto-atendimento, devendo-se especificar o tempo de permanência e pagar com antecedência. Do estacionamento, parte uma escada que leva até o centro de Montalcino.

O mapa mostra a localização do estacionamento onde paramos e sua distância para a Roca di Montalcino

Como a cidade se encontra em uma colina, você, provavelmente, terá que subir e descer ladeiras enquanto caminha. Perder-se por lá não é uma opção ruim, já que suas ruas e casas antigas são um convite à admiração. Da mesma forma, vale à pena apreciar o vale em torno da cidade lá do alto. A rua onde ficava o nosso estacionamento, por exemplo, acaba funcionando como um  belo mirante e não resistimos a tirar algumas fotos por lá antes de subir as escadas até o centro.


Vista a partir da Via Pietro Strozzi


Os ciprestes estão por toda parte


Esta pequeno muro vai acompanhando a lateral da Via Pietro Strozzi e caminhar ao seu lado é uma ótima ideia de passeio na cidade


Vista para o vale


Após subir os degraus saindo do estacionamento, demos de cara com a Catedralle del Santissimo Salvatore. A construção chama a atenção por suas colunas tipicamente gregas dispostas na sua fachada. Parece mais uma mistura de templo grego pagão com igreja católica italiana.

A Catedralle del Santissimo 


As colunas são gregas, mas as cruzes no topo revelam tratar-se de uma igreja católica

Do pátio em frente à igreja, seguimos caminhando pelas ruas tipicamente medievais da comuna e fomos passando por muitas lojas especializadas em vinho, inclusive, com degustação gratuita. Todas elas já acostumadas em preparar as garrafas para que o viajante possa levá-las na viagem de volta. Os amantes de vinho devem ficar enlouquecidos em Montalcino.

Aliás, uma boa dica para quem quiser provar vinho na cidade é passar pelo menos uma noite por lá, já que você não poderá beber e sair dirigindo.

Descendo e subindo as ladeiras de Montalcino


Mais uma bela cidade da Toscana


No final da rua, vê-se uma das torres da Rocca di Montalcino

Muitas das lojas espalhadas pelas ruas são enotecas


E estes detalhes que só aumentam o nosso encanto?


Seguindo nossa caminhada, chegamos à antiga fortaleza da cidade, conhecida como Rocca di Montalcino. A visita é gratuita (adoro!!). O antigo monumento possui uma área interna entre as muralhas e um jardim lateral, com vista para a cidade e o vale envolta.

Rocca di Montalcino, localizada no ponto mais alto da cidade


O interior da fortaleza possui apenas um pátio rodeado pela muralha e pelas torres


O jardim lateral da fortaleza é a parte que mais gostamos do local. Afinal, permite esta linda vista do Val D´Orcia


Além de uma ótima vista também da cidade


Óbvio que demos uma pausa para apreciar


E tirar muitas fotos


A  igreja vista na foto é a Catedral já citada acima

Deixando a Rocca di Montalcino

Após conhecer a Rocca di Montalcino, voltamos para sua ruas e acabamos saindo na Piazza Giuseppe Garibaldi, onde escolhemos um restaurante para almoçar, o Vineria le Potazzine. Escolhemos um simples espaguete ao molho pomodoro que estava divino, uma das melhores refeições de toda a viagem.

Continuando o passeio


Sendo observado pelos nativos

E admirando ainda mais a cidade


Até sair na Piazza Giuseppe Garibaldi

Após o almoço, era hora de voltar ao estacionamento e seguir com nosso carro rumo ao próximo destino.

Uma parada estratégica no Cipressi di San Quirico d´Orcia


Localizado próximo a Montalcino está outra pequena comuna conhecida como San Quirico d´Orcia. E, na estrada entre as duas cidades, a cerca de 9 Km da primeira, o turista pode parar o carro no acostamento para conhecer um aglomerado de ciprestes estrategicamente localizados no meio do verde do Val d´Orcia. É o chamado Cipressi di San Quirico d´Orcia.

O Cipressi di San Quirico d´Orcia


O conjunto dos ciprestes é muito bonito e vale a parada. Para encontrar o local, basta seguir a estrada entre as duas cidades e, a caminho de San Quirico d´Orcia, ir olhando à sua direita. Você encontrará o local imediatamente após uma ponte. Logo após esta ponte, você perceberá que o acostamento é mais largo. É onde os turistas vão parando seus carros para fotografar os ciprestes.

Muitos apenas param, fotografam e seguem viagem. Nós preferimos ficar um tempo maior em contato direto com a natureza do Val d´Orcia.

Achamos bonito demais para ficar pouco tempo


E, assim, resolvemos fotografar os ciprestes de todos os ângulos possíveis
Para que pressa em um lugar tão lindo?

Após algumas fotos, percebemos que dois turistas haviam atravessado a pista para caminhar um pouco pelos pastos do outro lado. Fizemos o mesmo e encontramos plantações de trigo com alguns ciprestes isolados se destacando.

Do outro lado da estrada


Caminhando entre as plantações


Encontrando um cipreste solitário


Do cipreste solitário, vemos seus irmãos mais famosos ao fundo


E, se você usar uma lupa, verá também Montalcino no topo da colina ao fundo!
Foi difícil deixar estas colinas para trás


Até pensamos em seguir viagem, mas vimos turistas seguindo pelo caminho visto na foto que vai contornando os ciprestes. Resultado: resolvemos imitar!


Voltamos, então, para o outro lado da estrada e seguimos pelo caminho de terra que ia se estendendo vale adentro (foto acima). Logo achamos outros ciprestes dispostos em círculo e, mais adiante, a vista de fazendas típicas da região. 

Avistando os ciprestes de outro ponto de vista


E encontrando outro aglomerado de ciprestes









Avistando, mais uma vez, Montalcino ao fundo (alguém com uma lupa aí?)

Mais dos famosos ciprestes


Amamos este lugar

Banho de águas termais em plena Toscana


Confesso que antes de pesquisar sobre a Toscana, eu não fazia ideia de que, por lá, havia depósitos de águas termais. Mas, na verdade, é lá que fica a maior concentração deste tipo de depósito na Itália. E, assim, é possível visitar spas na região onde você pode ter acesso privado a piscinas de águas termais.

Mas se você, como nós, não quiser gastar em algum destes spas, há também a opção de visitar algum banho público, em meio à natureza e onde o acesso é gratuito. Um destes banhos fica no Val d´Orcia, próximo a San Quirico d´Orcia, em um minúsculo vilarejo conhecido como Bagno Vignoni.

Seguimos para lá após conhecer o Cipressi di San Qurico d´Orcia. No local, há estacionamento gratuito e um complexo hoteleiro com spa. Seu centro corresponde a uma piscina de formato retangular, construída no século XVI e preenchida com as águas provenientes dos aquedutos subterrâneos. Foi ao redor da piscina que a vila se ergueu. 


O centro de Bagno Vignoni e sua piscina secular

Para acessar o banho público (gratuito), conhecido como Parco dei Mulini, você precisa encontrar uma trilha que vai descendo a colina até o vale abaixo. Confesso que achei a trilha um pouco difícil de encontrar. Para se localizar, você pode procurar por placas como a da foto abaixo:



Chegando ao local, você verá uma pequena cascata trazendo as águas que formam a piscina natural. Alguns visitantes mais destemidos estavam escalando o rochedo acima, mas não acredito ser uma boa ideia. O banho é delicioso, mas cuidado ao caminhar pois a areia no fundo da piscina é bem escorregadio.

Iniciando a descida. O trajeto é curto, mas estas escadas só existem no seu início. Embora um pouco íngreme, não achamos o acesso difícil. Em poucos minutos, você chega ao local.


A vista do vale enquanto descemos até a piscina


A piscina termal de acesso público


A temperatura da água é uma delícia

Não vimos nenhum vestuário público por lá. Portanto, se quiser tomar banho no local, aconselho já ir com roupa de banho por baixo, assim como não esquecer de uma toalha.


Pienza: um caso de amor à primeira vista


Após relaxar em Bagno Vignoni, seguimos para o nosso último destino no Val d´Orcia: Pienza. No caminho, paradas estratégicas para fotografar um campo repleto de flores vermelhas que são bem comuns na região (pena não termos visto nenhum campo de girassóis).

Parada estratégica



Inveja de quem mora naquela casa


Quando estávamos chegando próximo à cidade, veio o primeiro impacto: a silhueta de Pienza vista no topo da colina. A sensação era a de que estávamos em algum filme de fantasia, com batalhas medievais e seres míticos. Dava até para imaginar um dragão sobrevoando a cidade. Claro que paramos no acostamento para apreciar a fotografar Pienza a partir da estrada.

E surge Pienza


Mais uma parada estratégica


Já sabíamos que iríamos amar Pienza


Seguimos, então, até o topo da cidade, em busca de um estacionamento o mais próximo possível do centro histórico. Mas foi a cidade onde tivemos mais dificuldade de encontrar um. No mapa do navegador, havia várias indicações com o símbolo P, mas sempre que chegávamos ao local, víamos que não havia vagas para visitantes (especificadas pelas faixas de cor azul, como já explicamos no post sobre como dirigir pela Toscana). 

Enfim, encontramos um estacionamento apropriado na estrada SP146 (que passa por dentro da cidade), bem próximo à Via degli Archi. O local tem parquímetro e é preciso pagar e especificar o tempo de permanência assim que se chega.


Mapa mostrando o estacionamento público em Pienza. Embora, apareça como gratuito, possui parquímetro

Do estacionamento, seguimos por uma curta caminhada até o centro histórico de Pienza, onde dois aspectos nos chamaram a atenção: das cidades que visitamos, era a mais florida, com mais jarros de flores nas janelas e sacadas; e, do centro, é possível ter belíssimas vistas do Val d´Orcia ao redor. Dois aspectos que contribuíram para tornar Pienza a nossa cidade preferida da Toscana.

A caminho do centro histórico de Pienza (esta é a parte mais moderna da cidade)


Já mais próximo do centro medieval


Chegando à principal rua do centro: o Corso il Rossellino


Centro histórico de Pienza


Flores estão por todo lugar da cidade (imagina como deve ficar no auge da primavera)


As belas sacadas dos prédios do centro, que funcionam, atualmente, como lojas, sorveterias, cafés e restaurantes)





Uma das vielas que levam até a murada, de onde se pode apreciar o Val d´orcia

O Corso il Rossellino é a rua principal do centro e, dela, partem vielas até uma rua que funciona como mirante para o vale, conhecida como Via dell´Amore. Vale à pena ir acessando estas vielas e percorrendo a murada com suas belas vistas.

Ao longo desta espécie de varanda, conhecida como Via dell´Amore, vamos apreciando o vale entorno

O Val d´Orcia visto do centro histórico de Pienza


Há alguns restaurantes com mesas dispostas de frente para esta vista


Sem dúvida, percorrer esta murada é um dos pontos altos da visita a Pienza




Vale à pena explorar cada uma das vielas


Elas podem esconder locais pitorescos como este

Cantinhos que não estão nos roteiros turísticos clássicos


Explorar e descobrir Pienza é um privilégio

Na verdade, privilégio mesmo é morar em um destes prédios de frente para o Val d´Orcia

A Piazza Pio II é uma das principais da cidade e onde ficam alguns palácios e a sua catedral, onde, naquele dia, ocorria um casamento. Ficamos um tempo vendo o movimento dos convidados, a chuva de arroz sobre os noivos e os parabéns dados aos mesmos. Pouco tempo depois, enquanto saboreávamos mais um saboroso gelato italiano sentados na praça, vimos um outro casal de noivos chegando. Pienza nos mostrava que era especialista no quesito romantismo. 

Catedralle di Santa Maria Assunta, na Piazza Pio II

O vale visto da lateral da catedral

Estava difícil se despedir de Pienza. Gostaríamos de ter nos hospedado por lá

O nome de uma das principais praças da cidade não é à toa. O Papa Pio II nasceu em Pienza, numa época em que ela era apenas um borgo medieval conhecido como Corsignano. Uma vez tendo conquistado o papado, Pio II contratou um arquiteto, Bernardo Rossellini (o nome da principal rua do centro é em sua homenagem), para que transformasse sua cidade natal em um exemplar de cidade renascentista. 

E, assim, nascia Pienza (entendeu o nome?), um exemplar antigo de cidade planejada. E, na nossa opinião, Pio II e o seu arquiteto atingiram seu objetivo. Pelo menos, não foi difícil se apaixonar pela cidade se era esta a intenção dos mesmos.

O arquiteto contratado por Pio II fez muito bem o seu trabalho, concordam?

Outra curiosidade sobre Pienza é que é de lá o famoso queijo pecorino. Não vai ser difícil encontrar a iguaria sendo vendida no centro histórico. 

Talvez por estar um pouco mais distante das principais cidades da Toscana, Pienza não nos pareceu muito lotada de turistas, o que só contribuiu para gostarmos tanto da cidade. Florida, romântica, preservada, charmosa, encantadora e ainda com vistas de tirar o fôlego do Val d´Orcia. Tinha como não se apaixonar por Pienza?

Aliás, tinha como não se apaixonar pelo Val d´Orcia? Sem dúvida, aquele sábado percorrendo as estradas e cidades desta parte da Toscana foi o dia mais agradável desta viagem à Itália. Portanto, não deixem de incluir o Val d´Orcia em seu roteiro pela Toscana. Acho difícil vocês se arrependerem.



OBS:
1. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

Nenhum comentário:

Postar um comentário