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domingo, 6 de agosto de 2017

Visitando alguns pontos turísticos de Doha

Chegamos a Doha no início de uma noite de fevereiro vindos de Cape Town em um voo da Qatar Airways. Logo no desembarque, nos chamou a atenção o fato de sermos, juntos com outras duas pessoas, os únicos passageiros a não seguir para a área de conexão, reforçando o fato de que aquele aeroporto tem mesmo um importante papel de hub na região. Sorte a nossa que pegamos uma fila minúscula na imigração e não tivemos que disputar os pontos turísticos com centenas de outros turistas.

Do aeroporto, seguimos direto para o nosso hotel de táxi, que já abocanhou grande parte do dinheiro que havíamos trocado. Até hoje não me conformo com o absurdo do valor que deu aquela corrida!! Ainda bem que descobri no dia seguinte que o taxímetro para transitar pela cidade parte de um valor bem mais baixo do que o dos táxis que saem do aeroporto. Mas conto tudo sobre o transporte na cidade e tiro outras dúvidas, como a moeda local e a imigração, em um post específico sobre dicas gerais de Doha.


Ainda era cedo da noite, mas estávamos bem cansados e preferimos já ir dormir. Até porque o quarto era maravilhoso e a cama, super confortável, exerceu um efeito quase magnético sobre nós. Foi um sono merecido e, no dia seguinte, já estávamos dispostos para explorar tudo que pudéssemos na capital do Catar.

O Museu de Arte Islâmica (MIA) e o MIA park

Aproveitando o Wifi do hotel, solicitamos um Uber e, logo estávamos seguindo para o nosso primeiro destino: o Museu de Arte Islâmica, um dos principais pontos turísticos da cidade. No caminho, a luz do dia confirmava o que já havíamos percebido na noite anterior: Doha é uma cidade moderna, limpa e organizada. Ao mesmo tempo, chamava a atenção as inúmeras obras espalhadas pela cidade, com o objetivo de deixar tudo pronto para receber a Copa do Mundo de Futebol de 2022.

Museu de Arte Islâmica

Nossa ida ao Museu de Arte Islâmica já começava de forma um pouco frustrada, já que sabíamos que, nas terças, único dia que teríamos ali, o museu não está aberto. Uma pena, pois havia lido vários relatos do quanto a arquitetura interna é imperdível, assim como suas obras expostas. No entanto, queríamos apreciar a própria arquitetura do prédio, projetada pelo mesmo arquiteto do Louvre em Paris, I. M Pei.

Com um design moderno, a obra consegue a proeza de manter a característica arquitetura árabe, harmonizando o velho e o novo de maneira harmônica. Para completar, ainda se estende pelas águas da Baía de Doha, refletindo sua imagem nas águas do Golfo Pérsico. Sem dúvidas, visitar o prédio, mesmo que apenas por fora, foi válido.




Entrada principal do museu




Espelho d´água em frente à entrada do museu. Daqui, vê-se a famosa mesquita em espiral

Baía de Doha e mesquita eme spital vistas da entrada do MIA


Subindo este caminho de palmeiras, você encontra a entrada do museu

Caminho ladeado por palmeiras que levam os visitantes até a entrada do museu









Mas existiu um motivo para escolhermos o museu como primeiro destino do dia. A diária do nosso hotel não incluía café da manhã e eu havia lido ótimas referências do café que funciona dentro do museu. Eu sabia que havia a possibilidade dele estar fechado, mas resolvemos arriscar. Seria perfeito poder fazer a nossa primeira refeição do dia ali. Mas, infelizmente, o MIA Cafe também fecha às terças-feiras. Uma pena!

O horário de funcionamento funciona de acordo com o dia: das 10:30 às 17:30 nos domingos, segundas e quartas; das 12 às 20h nas quintas e sábados; e das 14 às 20h nas sextas. A entrada é gratuita (melhor notícia, não é?). Há um código de vestimenta para entrar no museu que pode ser visto neste link.

Após algumas fotos frustradas e sem nenhuma perspectiva de tomar o nosso café por ali, resolvemos passear um pouco pelo MIA Park, ali ao lado. Já estávamos por ali mesmo. Dava para segurar a fome mais um pouquinho.

MIA Park e Baía de Doha vistos do MIA


MIA Park
MIA Park


MIA Park


O MIA Park margeia a Baía de Doha e permite a vista da área financeira da cidade do outro lado da baía


Àquela hora da manhã, o parque estava pouco movimentado, mas eu havia lido que ele é bastante frequentado pelos moradores de Doha, inclusive à noite (o parque está aberto 24 horas). A área verde é muito bem cuidada e limpa, com espaços para caminhadas e para fazer piqueniques, tudo às margens da Baía de Doha e com a vista do skyline da área financeira da cidade do outro lado.

Do MIA Park, você pode apreciar o MIA de vários ângulos
















A partir deste calçadão do MIA Park, você vai se afastando do museu...

Enquanto aprecia a Baía de Doha...

E o skyline da cidade do outro lado!













Do MIA Park, você percebe que o museu, realmente, entra pelas águas da baía












Poucas pessoas caminhavam pelo parque àquela hora da manhã



Você pode acessar o site oficial do museu clicando neste link.

Corniche de Doha


Logo ao lado de MIA, começa (ou termina, dependendo do seu ponto de vista) os 7 Km de calçadão que acompanha a orla da cidade e que compõe o chamado Corniche de Doha. Nós não tínhamos a pretensão de percorrer todo o Corniche, até poque seria uma longuíssima caminhada e nós não tínhamos tempo para isso. Além disso, não nos parece vantajoso fazer esse trajeto todo a pé, até porque a paisagem não deve mudar muito ao longo da orla.

Iniciando a caminhada pela Corniche de Doha, já ao lado do MIA

Corniche de Doha



A Corniche vai margeando a baía, permitindo a vista do MIA, dos prédios do outro lado e dos vários barcos de madeira que navegam o Golfo Pérsico

Ali, ainda próximo ao museu, funciona um cais que permite aos turistas fazer passeios de barco pelo golfo. São inúmeros barcos de madeira, típicos do país, ancorados naquela área da corniche. Não foi exatamente um passeio que nos interessou e, portanto, não o fizemos.

Barcos de madeira estão localizados ao longo da Corniche


Muitos barcos, na verdade




















Ao longo do calçadão, podem ser encontradas algumas esculturas e alguns jardins muito bem cuidados. Tudo mantendo o mesmo padrão de limpeza e organização.

Algumas fontes e esculturas adornam a Corniche

Assim como jardins muito bem cuidados




Do outro lado da avenida, já podemos apreciar a mesquita em espiral a partir da Corniche






Uma das principais atrações da Corniche, na verdade, é a vista para os prédios da área financeira na margem oposta da baía, uma visão que vale ainda mais ser apreciada à noite, quando os modernos prédios ganham uma bonita iluminação. Portanto, retornamos a Corniche, à noite, após o jantar, para apreciar o skyline iluminado.

A área financeira de Doha vista a partir da Corniche

Retornamos a Corniche durante a noite, claro


Os modernos prédios de Doha ganham uma iluminação especial




O MIA e os próprios barcos de madeira também encontram-se iluminados




Escultura da Corniche representando um dos principais símbolos da cidade, a pérola, que já foi a principal fonte de de riqueza do país


O que não sabíamos pela manhã e, apenas descobrimos à noite, é que há um túnel subterrâneo ligando o Souq Waqif a Corniche. Tanto escadas como um elevador levam os transeuntes ao subsolo dos dois lados. O túnel está mais para uma cidade abaixo do solo pelas suas dimensões, albergando um imenso estacionamento, o que facilita bastante a vida de quem estiver motorizado pela cidade. E se você está imaginando uma área subterrânea feia, escura e mal cuidada (como existe em algumas cidades da Europa), está redondamente enganado. É tudo grandioso, moderno e limpo. A infra-estrutura da cidade está de parabéns!!

Um pouco dos túneis subterrâneos que ligam o Souq Waqif a Corniche, separadas pela larga avenida que margeia a orla da Baía de Doha


Mais ainda àquela hora, com a barriga já roncando de fome, precisávamos chegar logo ao Souq Waqif para comer alguma coisa e acabamos não percebendo a presença desta passagem. No entanto, há sinais de trânsito e faixas de pedestres que permitem que possamos atravessar a larga avenida que separa o mercado da Cornice sem maiores problemas.

Mesquita Al Fanar


Já da Corniche e, no trajeto para o Souq Waqif, já avistávamos a famosa mesquita com sua miranete em espiral e que já se tornou um dos símbolos da cidade (nós trouxemos até uma miniatura dela para casa). Não é apenas uma mesquita mas também um centro cultural que tem como objetivo preservar e ensinar a cultura islâmica.

Mesquita Al Fanar


Passando pela Mesquita Al Fanar para apreciar sua miranete em espiral


Construída em 2009, a mesquita é uma das maiores do país e permite a visita de não islâmicos, desde que seja respeitado o código de vestimenta comum a qualquer templo islâmico (nada de pernas de fora ou roupas que exponham demais o corpo).

A mesquita está localizada ao lado so Souq Waqif



O site oficial da mesquita pode ser acessado clicando aqui.


Como jantamos, naquele dia, no Souq Waqif, tivemos a chance de rever a mesquita iluminada à noite.

Souq Waqif

Sem dúvidas, este foi o nosso local preferido na cidade. E olha que eu não sou um grande fã de mercados locais. Confesso que, após um tempo, eles começam a me entediar um pouco. Mas o contrário aconteceu com este mercado do Catar. Quanto mais percorríamos suas ruas e vielas, mas nos interessávamos pelo local e mais tempo queríamos permanecer ali.

O Souq Waqif





Praça em frente a uma das entradas do Souq Waqif

O mercado possui área cobertas...


E áreas ao ar livre


Na verdade, o mercado árabe tem muitas similaridades com inúmeros outros mercados: lojas vendendo tudo que você puder imaginar, de condimentos a vestimentas, de animais e bugigangas, de tapetes a souvenirs. Há um setor para a venda de cada tipo de produto, dando ao mercado uma cara bem mais estruturada. Claro que os produtos tipicamente árabes acabam chamando mais a nossa atenção e acabamos saindo de lá com um pequeno tapete e alguns souvenirs que fazem referência à cultura local, como uma pequena réplica de um camelo e uma lâmpada igual a de Aladin (mas não! Nenhum gênio saiu lá de dentro... infelizmente!!).









Na área de venda dos animais, muitos pássaros em gaiolas! Sinceramente, algo triste de se ver! Parece que por lá, engaiolar pássaros ainda é algo bem comum!


Coelhos também são animais muito vendidos! Não sei se eles são bem tratados no mercado!




Uma área só para vender tapetes





Nesta área, começam a aparecer os cafés

Percebam que os vestes árabes se misturam com as roupas ocidentais. Não precisa se preocupar tanto com o que vestir. E as mulheres não são obrigadas a usar lenços.

O que diferencia mais o Souq Waqif de outros mercados que visitamos é a limpeza e a organização. Claro que comparado a outras áreas da cidade, o mercado é menos limpo, mas infinitamente, menos sujo e fedorento do que outros mercados que já visitamos. Além disso, existe uma boa estrutura das construções do local (na verdade, nada ali é original. Tudo foi derrubado e reconstruído, mas mantendo a tradicional arquitetura árabe), incluindo excelentes banheiros públicos e ótimos restaurantes.

Além disso, o mercado é um ótimo local para se ter contato com a cultura local. É lá que você vai encontrar a maior concentração de pessoas usando os vestes típicos do país. Mas você também vai perceber que cobrir todo o corpo não é motivo para as mulheres não serem vaidosas. Há modelos diferentes de túnicas e elas capricham nos adereços, com jóias e bolsas de marcas caras.

Os vendedores, por sua vez, mantém aquela característica irritante de tentar enfiar os produtos goela abaixo do cliente, pechinchando até não poder mais. 

E se o seu dinheiro estiver sobrando (não é o nosso caso) e o seu negócio for esbanjar, não deixe de visitar a área mais rica do mercado: um prédio todo para se vender apenas ouro. O prédio em si já destoa do restante do mercado, apresentando um aspecto bem mais suntuoso. Os produtos então... Visitamos pela curiosidade mesmo, porque nada ali cabia no nosso bolso!

Placa indicando o caminho até o mercado de ouro

Percebam como o Gold Souk é mais suntuoso do que o restante do mercado

Há também um setor para a venda de falcões e outro para a venda de dromedários (não confundir com camelos, ok?).

Locais deixando o mercado com um falcão em mãos

Dromedários à venda







Mas a área que mais nos chamou a atenção foi a que concentra os restaurantes. Todos nos pareceram ótimos, com ambientes bem agradáveis e com grande variação gastronômica, indo desde os que servem comida típica árabe até aqueles que servem a básica pizza (que salva o turista sempre que a opção gastronômica local não o favorece).

Restaurantes com mesas ao ar livre









Restaurante com mesas no primeiro andar


Nos ambientes externos, muitos locais fumavam narguilés, algo bem comum no país. A vantagem em relação ao cigarro é que não impregna o ar com aquele fedor insuportável. Aliás, pensei que veria mais fumantes no Catar (não vimos nem perto do que vemos pela Europa), embora tenha mais do que no Brasil.

E se você está se perguntando se nós continuávamos com fome e sem café da manhã, calma! Eu me empolguei descrevendo o mercado e acabei esquecendo de dizer que comer foi a primeira coisa que fizemos antes de explorar o lugar. A princípio iríamos escolher um café (há alguns no Souq Waqif), mas acabamos optando por algo mais local: um pão árabe que era preparado na hora em um dos estabelecimentos do mercado. Havia várias opções de recheio e acabamos escolhendo uma bem ocidental, a nutella. E, assim, foi nossa primeira refeição por lá, uma mistura cultural que acabou nos satisfazendo até a hora do almoço.

Nosso café da manhã

Enfim, o Souq Waqif acaba representando uma grande área de lazer a céu aberto, onde você pode realizar compras, ter contato com a cultura local e ainda comer em algum excelente restaurante. Acabamos ficando por lá mais tempo do que imaginávamos. E ainda retornamos à noite, para o nosso jantar, antes de retornar ao Corniche para apreciar o skyline iluminado.






Também fizemos nossas compras no mercado


Apreciando a arquitetura dos prédios do mercado

A área dos restaurante do Souq Waqif à noite



Sem nenhum dúvida, foi nosso local preferido na capital do Catar.

Esta grande praça fica do lado de fora de um dos lados do Souq Waqif. Dela, tivemos a chance de ouvir o chamado para um dos cinco horários de oração comum à religião islâmica e que partiu da mesquita cujo miranete é visto no meio da foto. No momento, os muçulmanos devem parar o que estiver fazendo e realizar a sua oração pública posicionado em direção à Meca.


Uma vez terminado o nosso almoço no Souq Waqif (nós preferimos ficar com a pizza mesmo. E o Zatar w Zeit, restaurante que escolhemos, é excelente), nós tínhamos que retornar ao hotel, onde uma agência nos pegaria para fazer o tour pelo deserto. Como seria apenas meia hora de caminhada e o clima estava agradável, resolvemos voltar a pé mesmo, o que foi interessante pois nos permitiu um maior contato com a cidade.

Passamos por mais mesquitas, por uma Torre do Relógio e por muitas obras, incluindo algumas ruas nas quais os prédios estavam sendo demolidos para darem lugar aos novos. Fico imaginando como estará Doha em 2022.

E uma clock Tower, algo tão inglês, surge com detalhes árabes em sua arquitetura



E vizinha a Clock Tower, mais uma mesquita, a Al Shouyoukh

E os modernos prédios de Doha continuavam compondo a paisagem



Este nosso primeiro contato com o mundo árabe foi, sem dúvidas, fundamental para quebrar preconceitos que podemos ter sobre o Oriente Médio. As pessoas que vivem ali apenas tem uma religião diferente da maior parte da população ocidental. Porém, são seres humanos como outros quaisquer. Com as mesmas necessidades, mesmos sonhos, mesmas falhas.

As mulheres, em geral vistas como submissas no mundo árabe, se reúnem nas praças para rir e conversar, saem para trabalhar e parecem ser tão vaidosas quanto as mulheres ocidentais. As suas vestes, decididamente, não definem quem elas são. É unicamente uma questão cultural. E uma pergunta que não me saiu da cabeça, por exemplo, foi o quanto se vestir assim é algo que, realmente, as incomoda...

Claro que estamos falando de um país específico. E é importante também ter em mente que cada país do mundo árabe tem a sua identidade própria, com inúmeras variações culturais. Nós ocidentais devemos parar de incluir todos os árabes em uma única e imensa bolha de visões preconcebidas. E viajar ajuda demais a quebrar estes preconceitos.

Obviamente, seria necessário sentar e conversar com um ou mais árabes para tentar entender toda a questão cultural que envolve o Oriente Médio. Espero poder viajar mais para aquela região, aprendendo cada vez mais sobre um universo que, onde vivemos, é extremamente estigmatizado e envolto em preconceitos.

Ah!! E sobre o nosso tour pelo deserto? Aí já é assunto para o próximo post.


OBS:
1. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

Um comentário:

  1. Parece mesmo ser uma cidade moderna, organizada e muito limpa. Adorei as fotos!

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