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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Copacabana, Titicaca e Isla del Sol: colocando os pés no berço da civilização Inca

A pequena cidade boliviana de Copacabana localiza-se já próximo à fronteira com o Peru e é a cidade base para quem quer navegar pelo lago Titicaca e conhecer a Isla del Sol. Para quem quer ir de um país ao outro por via terrestre, passar pela cidade é quase obrigatório.

A forma mais confortável e segura de se chegar à Copacabana, partindo de La Paz, é através de ônibus turístico, reservado em alguma agência de viagem. No nosso caso, utilizamos os serviços da Kanoo Tours. Fizemos a reserva pelo site da agência, imprimimos o voucher e, no dia e hora marcados, o ônibus nos pegou em nosso hotel em La Paz. Vale ressaltar que, caso seu hotel seja afastado do centro da cidade, pode ser que a agência o oriente a ir até um local específico para pegar o ônibus. Confesso que estava receoso em relação à empresa, pois havia lido um relato, na internet, de  uma pessoa reclamando que a agência não compareceu no dia marcado. Felizmente, conosco, deu tudo certo. Pagamos U$ 40,00 por pessoa, mas o valor incluía também viagem até Puno, no Peru, a partir de Copacabana (assunto para o próximo post).


A viagem até Copacabana demora cerca de 4:30h, havendo duas paradas no caminho: a primeira de 10 min para ir ao banheiro e comprar algum lanche; e a segunda para atravessar o Lago Titicaca de balsa. Isso mesmo: o trajeto mais curto até Copacabana tem o lago em seu caminho. Neste ponto, todos os passageiros descem do ônibus já às margens do lago, se dirigem à bilheteria onde compram o ticket do barco no valor de 1,50 bolivianos e, rapidamente, já entram no barco. A travessia é rápida, dura menos de 10 minutos, e já permite o primeiro contato com esse incrível lago. Saltamos do barco já no vilarejo de Tiquina, onde aproveitamos para tirar as primeiras fotos do lago enquanto aguardávamos o ônibus que atravessava o Titicaca de balsa (a bagagem permanece dentro do ônibus durante a travessia). Vale ressaltar que a viagem de ônibus, a partir do momento em que começamos a avistar o lago é bem bonita, valendo à pena ficar sentado ao lado da janela para apreciar as vistas. E, pelo que percebi, tanto faz o lado do ônibus no qual você se sente, pois haverá belas paisagens dos dois lados.

Chegando ao Estreito de Tiquina

Nosso primeiro contato com o Lago Titicaca

Nosso ônibus atravessando o lago de balsa

Já em Tiquina

Primeira "lhama" que encontramos na viagem

Cais onde desembarcamos em Tiquina após a curta travessia


Vista a partir do ônibus a caminho de Copacabana


Chegamos em Copacabana próximo ao meio-dia e já compramos o ticket do barco que nos levaria até a Isla del Sol na própria sede da agência em frente da qual o ônibus nos deixou. O ticket, no entanto, pode ser comprado diretamente no próprio cais de onde saem os barcos. Na época, custou 25 bolivianos. Para chegar até o cais, não há mistério. Basta ir caminhando tranquilamente a partir de qualquer ponto da cidade. Copacabana é bem pequena, sendo melhor caracterizada como um vilarejo. Impossível não saber qual direção pegar para chegar às margens do lago. Mas se você quiser uma rua de referência, esta seria a Av 6 de agosto, que concentra vários restaurantes e lojinhas de souvenir. Descemos esta rua até chegar ao cais e entramos na fila para entrar no barco, que sairia às 13:30h. Ali, a visão do Lago Titicaca já impressiona. Mais parece um mar!! Às suas margens há também inúmeros pedalinhos para quem quiser começar a desbravar o lago de forma mais lúdica.

Ficamos hospedamos no Hotel Wendy Mar, com ótimo custo-benefício. O quarto era bem simples, contendo apenas o básico. Mas era bem limpo e ainda tinha vista para o Titicaca. E o valor da diária era bem acessível. Fica a indicação.

A pequena cidade de Copacabana


Cais em Copacabana


O Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo, estando a 3800m de altitude (e lembre-se que, devido à altitude, a travessia de barco pode ser bem fria. Para quem não quiser sentir o vento gelado, indico ir na parte coberta do barco e não na superior). É também o maior lago da América do Sul (em volume de água), atravessando dois países: a Bolívia e o Peru. Nosso objetivo era percorrer suas águas até chegar à mística e bela Isla del Sol, considerada berço da civilização Inca.




A Isla del Sol pode ser conhecida a partir de um dos seus dois extremos: o norte ou o sul. Os barcos que saem de Copacabana às 13:30h se dirigem apenas ao extremo sul, não sendo possível, neste horário, conhecer o extremo norte (infelizmente, foi o nosso caso). O trajeto dura cerca de 2 horas e a volta ocorre às 16:30h. Para quem quiser conhecer os dois extremos da ilha, é preciso partir no barco das 8:30h, descer na extremidade norte e, partir daqui, escolher entre duas opções: seguir a trilha caminhando até o extremo sul, de onde partirá o barco de volta à Copacabana, às 16:30h; ou conhecer parte do extremo norte, retornar ao barco e seguir navegando até a extremidade sul. Há também a opção de pernoitar em algum dos hotéis da ilha, que se concentram no extremo sul. E lembre-se que o acesso à ilha é garantido a partir de um pagamento de 5 bolivianos. 

Confesso que, para mim, o ideal teria sido chegar na ilha ainda pela manhã, pela extremidade norte e seguir a trilha até o extremo sul. Mesmo antes da viagem, quando eu percebi que isto não seria possível, considerando o meu roteiro, eu já fiquei frustrado. Frustração que triplicou quando me vi conhecendo apenas a extremidade sul da ilha. E, como foi possível perceber no parágrafo acima, tivemos o mísero tempo de uma hora para conhecer a Isla del Sol!! Quando penso nisso, minha vontade é pegar o primeiro avião de volta à Bolívia e fazer o passeio completo!!

Para completar, quem chega pelo sul da ilha, tem que subir um caminho extremamente íngreme (e se você ainda não estiver completamente aclimatado, isso pode ser um pequeno problema). Se sua intenção for se hospedar em algum dos hotéis (que ficam no topo da subida), prepare alguns bolivianos para pagar alguém para levar sua bagagem até o alto. E, durante a subida, não deixe de reparar em um pequena corredeira d´água, cuja fonte é considerada a fonte da juventude, lenda que inspira vários viajantes a provar de sua água (como li relatos de algumas pessoas que tiveram diarréia após experimentar a água "mágica", preferi não arriscar!!). Todo o visual durante a subida é lindo e ainda é possível se deparar com as simpáticas lhamas, animais típicos da região andina.

Chegando a Isla del Sol

Iniciando a subida. O pequeno córrego é proveniente da "fonte da juventude".


Finalmente, encontramos uma lhama boliviana



O Deus Sol









Para quem tiver como passar o dia na ilha, eu indico fortemente. No extremo norte, a subida é menos íngreme, existem ruínas da civilização Inca e você ainda pode atravessar toda a ilha com calma, aproveitando todo o visual. Quem quiser saber mais sobre o lado norte e a trilha através da ilha, indico a leitura do seguinte site: http://www.dicas-de-viagem.com/copacabana-bolivia-titicaca-isla-del-sol-cerro-calvario-basilica/

A travessia de volta foi ainda mais demorada do que a de ida e chegamos à Copacabana já durante o pôr do sol. No jantar, aproveitamos para provar a iguaria mais famosa da região: a truta pescada no Titicaca. Há inúmeras opções de restaurantes na cidade e com preço acessível. E a truta é, realmente, deliciosa.

De volta à Copacabana

Pôr do sol no Titicaca


Truta do Titicaca


Na manhã do dia seguinte, aproveitamos para percorrer as poucas ruas do lugar e conhecer a Basílica de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira da Bolívia. A Basílica, toda pintada de branco, fica localizada na praça central da cidade e, nos seus arredores, há inúmeras lojas vendendo souvenirs e casacos de alpaca. Pesquisando, é possível encontrar bons preços. Comprei um casaco por um preço que achei justo, embora não tenha certeza se ele é completamente feito a partir da lã de alpaca (a dica é provar o casaco; se você sentir que ele está espetando sua pele, não é original. O que comprei me pareceu bem macio. Prefiro continuar acreditando que é legítimo!!!).

Basílica de Nossa Senhora de Copacabana

Praça central de Copacabana


Bem ao lado da cidade, na beira do lago, você pode encontrar o Cerro Calvário, o qual é possível subir e ter uma vista panorâmica do Titicaca. Muitos deixam para subir durante o pôr do sol. Mas lembre-se que, devido à altitude, pode não ser uma subida fácil. Nada é cobrado para chegar até o topo do cerro.

A pequena cidade de Copacabana. A seta vermelha indica o local do cais, de onde saem os barcos para a Isla del Sol. No canto inferior direito, está a Basílica de Nossa Senhora de Copacabana e, no canto superior esquerdo, o Cerro Calvário.


Obviamente, aproveitamos para provar mais da truta do Titicaca, no almoço. A tarde, teríamos que pegar o ônibus rumo ao Peru. Era hora de se despedir de um país tão subestimado pelos turistas ao redor do mundo. Um país do qual saí com a certeza de que voltaria um dia!!



OBS:
1. Os preços indicados neste post correspondem aqueles em vigência na época da viagem. Recomendo pesquisar novamente os valores das atrações na época da sua viagem
2. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio


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