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segunda-feira, 12 de março de 2018

Sobre Istambul: entendendo a cidade e o seu transporte público

Conhecer Istambul não estava nos planos originais da nossa viagem à Grécia e a Israel, mas quando nosso voo de volta mudou e nós ganhamos três dias a mais em Atenas, não pensamos duas vezes e corremos para ver o valor do voo entre as duas cidades. As opções eram muitas e o preço estava bastante atrativo. 

Istambul entrava, então, oficialmente, no nosso roteiro.

A Mesquita Azul, um dos monumentos mais emblemáticos de Istambul

Foram apenas 2 noites na cidade, mas suficientes para nos dar a certeza de que a cidade turca é uma das mais incríveis do planeta. E algumas características justificam esta nossa afirmação:

1. Istambul é enorme. Bem mais do que poderíamos imaginar. Afinal, é a quarta maior cidade do mundo, possuindo uma alta densidade populacional. Quando mais cidade víamos (seja do alto da Torre de Gálata seja através do passeio de barco pelo Bósforo), mais cidade parecia haver para ver. E se isto pode dar a impressão de que a cidade é caótica... Bem! Ela até é um pouco, mas é uma espécie de caos organizado (será possível isto?) que acaba dando um charme a mais ao lugar.


Um pouquinho de Istambul (quase nada) visto do alto da Torre de Gálata

2. Istambul é predominantemente muçulmana. E se ver dentro de uma cidade com uma cultura tão diferente da que estamos acostumados é bastante enriquecedor. Sem falar das belas e enormes mesquitas que adornam as várias colinas que formam a cidade. 


3. Istambul se localiza, ao mesmo tempo, em dois continentes. Embora a sua maior parte esteja na Europa, alguns bairros da cidade estão em continente asiático, de modo que, apenas pegando um barco você pode ir da Europa para a Ásia em minutos. E por que um barco? Porque é o Estreito de Bósforo (faixa de água que liga o Mar de Mármora, ao sul, ao Mar Negro, ao norte) que separa os dois continentes.

Este é o Estreito de Bósforo. Estávamos na Europa e, do outro lado, víamos a Ásia


4. Istambul é rica em história. Afinal, ela já chegou a ser a maior metrópole do mundo nos tempos antigos. Ocupava uma posição estratégica entre Ocidente e Oriente. Foi a capital oriental do Império Romano, quando era chamada de Bizâncio. Tornou-se Constantinopla sob o domínio dos otomanos. Expandiu seu império para outros territórios, como a Grécia e a Península Arábica. E, assim, influenciou, culturalmente, não apenas o Oriente Médio, mas também o Ocidente.

Foi apenas no início do século XX, após a Primeira Guerra Mundial, que Constantinopla passou a ser reconhecida, oficialmente, como Istambul. E, ao contrário do que muitos pensam, com a instituição da Turquia como Estado, ela não passou a ser a capital do país, título que pertence, na verdade, a Ankara.

E por ser tão imensa e tão rica, historica e culturalmente, a cidade tem muito para ser visto. Obviamente, dois dias são poucos, mas foi tudo que tivemos nesta primeira visita (consideramos, no mínimo, quatro dias, o tempo ideal). E aqui daremos algumas dicas sobre a cidade para ajudá-los a montar o próprio roteiro:

Qual a moeda utilizada na Turquia?


A lira turca é a moeda oficial do país, correspondendo (no momento em que escrevo este post) a 0,85 real. Esta proximidade entre as duas moedas acaba facilitando o cálculo aproximado do câmbio.

Alguns estabelecimentos podem até aceitar o pagamento com outros moedas, como dólar e euro, mas isto não costuma ser uma ideia muito boa, considerando que o câmbio nem sempre costuma ser favorável nestas situações.

Fizemos o câmbio no próprio aeroporto, mas há casas de câmbio no centro da cidade que podem oferecer valores mais vantajosos. Levar real para trocar lá não costuma ser aconselhável, preferindo-se o dólar ou o euro.

Como é o clima em Istambul?


Visitamos Istambul no mês de maio, quando o verão já batia à porta, e encontramos um clima já quente, mas agradável, como costuma ocorrer entre abril e setembro. Embora as chuvas sejam mais escassas neste período do ano, ainda pegamos um dia de chuva no nosso último dia, mas nada que tenha nos atrapalhado.

Já durante o inverno, entre dezembro e março, é bom saber que faz frio (a temperatura pode chegar próxima a zero), chove mais e pode, inclusive, nevar. Portanto, se for visitar a cidade neste período, vá prevenido.

Entendendo a geografia de Istambul


Como já citei acima, a antiga Constantinopla possui bairros localizados no continente asiático e bairros localizados na Europa. E é o Estreito de Bósforo que separa os dois continentes.

O mapa de Istambul mostra, claramente, a cidade dividida em duas partes pelo Estreito de Bósforo

Mas a parte européia (maior que a asiática) também é dividida por uma faixa de água: o Corno de Ouro (ou Chifre de Ouro). Este é uma ramificação do Estreito de Bósforo que entra pelo continente europeu, separando alguns bairros da cidade.

O mapa mostra o Corno de Ouro, uma ramificação do Bósforo que divide o lado europeu de Istambul em duas partes.

E é, exatamente, próximo às margens do Corno de Ouro, de ambos os lados, que se concentram as principais atrações da cidade.

Ao sul do Corno de Ouro, próximo ao seu encontro com o Bósforo, está o bairro Eminonu (veja no mapa acima), cheio de hotéis, restaurantes e atrações turísticas. Deste lado do rio, estão: a praça Sultanahmet (que abriga os dois principais ícones da idade: a Hagia Sophia e a Mesquita Azul), o Palácio Topkapi, a Nova mesquita, o Grande Bazar e o Mercado de Especiarias.

O mapa mostra Eminonu, ao sul do Corno de Ouro e, às margens, do Bósforo. Estão circulados as áreas correspondentes ao Palácio Topkapi e a Sultanahmet. As setas mostram a Ponte Gálata e o Porto de Eminonu.

A Praça Sultanahmet


Do Porto de Eminou partem vários barcos que não apenas fazem passeios turísticos pelo Bósforo como também levam os habitantes da cidade de um lado para o outro. A Ponte Gálata, uma das mais famosas e inusitadas (ela é cheia de restaurantes) da cidade, liga o bairro de Eminou à margem norte do Corno de Ouro, mais especificamente ao bairro de Karakoy, servido por mais um porto (o transporte público aquático em Istambul é bem popular).

Assim, ao norte do Corno de Ouro, tem-se os charmosos bairros de Karakoy e Beyoglu, este último servido por uma das principais atrações turísticas de Istambul: a Torre de Gálata. Localiza-se também o bairro de Taksim, na parte mais alta da cidade, com muitas opções de hospedagem.

Mapa mostrando o lado norte do Corno de Ouro. A seta indica a localização da Torre de Gálata.

Karakoy visto da margem sul do Corno de Ouro. A estrutura mais alta vista é a Torre de Gálata


Mas também há muito para se ver além dos arredores do Chifre de Ouro. Voltando ao Estreito de Bósforo, é possível visitar alguns bairros às margens do seu lado europeu, como Ortakoy (onde se inicia a famosa Ponte de Bósforo) e Arnavutkoy. Já na margem asiática, destaca-se o bairro de Uskudar, onde é possível chegar, facilmente, de barco e de onde se pode conhecer a Torre da Donzela, mais uma atração da cidade.

O mapa destaca alguns outros bairros de Istambul, separados pelo Bósforo

Ortakoy e a Ponte de Bósforo



As charmosas residências de Arnavutkoy

A Torre da Donzela vista de Uskudar

Como se locomover em Istambul

Considerando o enorme tamanho da cidade, as inúmeras atrações para se visitar e as faixas de água que a dividem, obviamente, é importante conhecer as opções de transporte para se locomover em Istambul. Estas opções irão variar, dependendo do seu destino, entre metrô, tram (aqueles trens de superfície), ônibus e, claro, barco.

Obviamente, dependendo de onde você se hospede, seus pés serão seus principais meios de transporte na cidade. Se você, por exemplo, estiver hospedado em Eminonu, poderá caminhar para todas as principais atrações turísticas do lado sul do Corno de Ouro (foi exatamente o que fizemos). Poderá ainda atravessar a Ponte Gálata e visitar a torre homônima apenas caminhando.

No entanto, os demais meios de transporte serão úteis se você tiver que ir ou vir de locais mais distantes. O aeroporto, por exemplo, fica muito longe do centro da cidade. Mas é possível combinar o metrô e o tram para chegar ao seu hotel. O tram, aliás, é o único meio de transporte terrestre, junto com o ônibus, que percorre o bairro de Eminonu. Já os bairros de Beyoglu e Taksim são servidos pelo metrô.

Para alguns bairros mais distantes, como Ortakoy e Arnavutkoy, apenas os ônibus ou os barcos estarão disponíveis. Já para o lado asiático, você deverá lançar mão do barco.

Metrô


Há duas linhas de metrô, atualmente, em Istambul: a M1, que se inicia no aeroporto (estação Havalimani) e percorre a parte europeia da cidade localizada ao sul do Corno de Ouro (no entanto, para se chegar ao bairro de Eminonu, é preciso combiná-lo com o tram); e a M2, que percorre a parte europeia localizada ao norte do Corno de Ouro, passando pelo bairro de Beyoglu e pela Taksim Square.

O símbolo do metrô em Istambul


Infelizmente, a grande maioria das estações de metrô encontram-se bem distantes da margem do Bósforo. E não há metrô na parte asiática da cidade.

Mapa do sistema de transporte de Istambul, destacando a linha M1 do metrô (em azul claro). Percebam que ela começa em Havalimani (estação do aeroporto), mas não segue até Eminonu, devendo-se, para isto, fazer conexão com o tram (a linha em vermelho)na estação Zeytinburnu 


Mapa do sistema de transporte de Istambul, destacando a linha M2 do metrô (em azul escuro). percebam que a linha começa em Beyoglu, passando por Taksim e seguindo sempre ao norte.


O metrô funciona das 6 às 24h e o ticket único (chamado de jeton) custa, no momento, 5 TL (liras turcas). Mas pode ficar mais barato na compra do Istanbulkart, um cartão que serve para uso em todos os meios de transporte citados, incluindo os barcos, e que torna cada trecho viajado mais barato. Com o cartão, a viagem de metrô, por exemplo, passa a custar 2,60 TL.

Para adquirir o cartão, você precisa pagar 10 TL e, então, carregá-lo com o valor que julgar necessário a depender do tempo em que permanecer na cidade. Destas 10 TL gastas, 4 TL já poderão ser utilizados para uso nos transportes públicos, sendo 6 TL o valor real pago pela sua aquisição.

O Istanbulkart pode ser adquirido em máquinas de auto-atendimento, com opções em inglês.


Máquinas de auto-atendimento para compra do jeton ou do Istanbulkart


Percebam que há na lateral da tela, bandeiras indicando as várias opções de idioma. Entre as opções, tem-se a compra do ticket único e a compra do Istanbulkart



Comprando o Istanbulkart. Vejam que a tela indica que, das 10 TL pagas neste momento, 6 são para a aquisição do cartão, sendo os 4 restantes o valor para se iniciar os gastos com o transporte público. 


Para utilizar o cartão, basta aproximá-lo de um sensor localizado na entrada e saída do metrô ou dos demais meios de transporte citados. Em uma tela acima do sensor, aparecerá a quantidade gasta em cada viagem.

Tram

O trem elétrico de superfície é um dos meios de transporte mais modernos da cidade. Sua linha T1 se inicia na estação Zeytinburnu, onde faz conexão com a linha M1 do metrô que vem do aeroporto, atravessa a Ponte Gálata e finaliza na estação Kabatas, do outro lado do Corno de Ouro. Nesta última estação, é possível pegar um funicular que te leva à parte alta da cidade, na Praça Taksim, onde se pode fazer conexão pegando a linha M2 de metrô.

O tram de Istambul

Para aqueles que estão hospedados em Taksim, portanto, é preciso descer pelo funicular até a estação Kabatas, para seguir de tram até as principais atrações da cidade, uma vez que este transporte pode te deixar nos bairros de Karakoy e Eminonu, onde, além das estações de barco e da Ponte Gálata, você pode ter acesso a atrações como o Palácio Topkapi (descendo na estação Gülhane) e a Hagia Sophia e Mesquita Azul (descendo na estação Sultanahmet).

Mapa do sistema de transporte de Istambul, destacando a linha T1 do tram (em vermelho). percebam que ela percorre os dois lados do Corno de Ouro, passando pela área mais turística da cidade.

Há outras linhas de tram na cidade, mas a T1 é a que, realmente, importa para o turista. O bilhete unitário do tram, assim como no metrô, também recebe o nome de jeton e custa 5 TL; e o Istanbulkart pode ser utilizado, obtendo-se a mesma economia.

No caso de mudanças de um meio de transporte para o outro, você deverá passar novamente seu Istanbulkart, pagando um novo trecho, mas, neste caso, o desconto será ainda maior, reduzindo o valor da viagem para 1,85 TL. E a cada conexão, em uma mesma viagem, o desconto vai sendo maior.

O funicular que liga Kabatas a Taksim custa o mesmo valor e está submetido aos mesmos descontos com o uso do Istanbulkart.

Barco

Você poderá lançar mão do barco por dois motivos: para se locomover pela cidade, especialmente, para acessar a sua parte asiática; ou para fazer o passeio turístico pelo Estreito de Bósforo.

As duas estações ou portos mais populares na parte européia são a de Eminonu e a de Karakoy, localizadas às margens do Corno de Ouro nos bairros homônimos. Na parte asiática, a estação de Uskudar será a, mais provavelmente, utilizada na sua viagem.

O cartão Istanbulkart também serve para o trechos de barcos.

Os barcos também são transportes públicos populares em Istambul


No nosso caso, fizemos o passeio turístico pelo Bósforo saindo da estação Karakoy e, no lugar de descermos no mesmo porto, na volta, preferimos descer em Uskudar, já que o barco turístico faz uma parada lá. Desta forma, economizamos em um trajeto, só precisando pagar o trecho de Uskudar a Eminou, após o nosso passeio pela Istambul asiática.

Fazendo o passeio turístico pelo Bósforo

A Sehir Hatlari é uma das principais empresas de ferry boats da cidade, oferecendo tanto transporte público aquático quanto o passeio turístico pelo Bósforo. O preço do ticket avulso é de 5 TL, mas com o Istanbulkart, o valor cai dependendo do trecho utilizado. De Eminonu para Uskudar, por exemplo, fica, atualmente, em 2,60 TL com o uso do cartão. Já o tour pelo Bósforo sai a 25 TL por pessoa.

Nos portos, você encontrará os horários de saída dos barcos para cada trajeto, como mostrado na foto abaixo:



No interior do barco que liga a parte asiática ]á parte europeia de Istambul



Ônibus

Com o utilíssimo Istanbulkart (já deu para perceber, né?), também andamos de ônibus por Istambul para poder acessar os bairros de Ortakoy e Arnavutkoy. Como ambos se localizam na mesma margem do Bósforo, a mesma linha de ônibus, na mesma direção, leva aos dois bairros.

O problema aqui é que mapas de linhas de ônibus em grandes cidades não são tão simples de se utilizar quanto os de metrô ou tram. Portanto, nos coube lançar mão do velho "quem tem boca vai a Roma". E não foi difícil achar a parada de ônibus que precisávamos.

Os ônibus que pegamos, mesmo fora do horário de pico, estavam bem lotados. Em um deles, quase não conseguimos entrar e seguimos viagem espremidos contra o para-brisa. Mas só fazíamos rir com a situação.

Os trams também não costumam estar muito vazios. Afinal, Istambul é uma cidade superpopulosa. Portanto, não espere transportes públicos com assentos livres.

Obviamente, você sempre pode lançar mão do táxi, mas, além de serem mais caros, há sempre a possibilidade de cair em algum golpe de um taxista mal intencionado. Importante sempre pedir para ligarem o taxímetro e ficar de olho no caminho.

Onde se hospedar em Istambul?

Na nossa opinião, o bairro de Eminonu é o melhor local para ficar hospedado na cidade. Afinal, você ficará perto das principais atrações turísticas, podendo acessá-las caminhando. Será servido pelo tram como transporte público. Terá um porto próximo. E muitos restaurantes nos arredores.

Hospedar-se em Karakoy também nos parece uma boa ideia. Já nos arredores da Praça Taksim, onde muitas pessoas se hospedam, não nos parece uma opção tão boa por se localizar em uma parte mais alta da cidade, um pouco mais distante. No entanto, não tivemos esta experiência para saber se vale ou não à pena. Se você já ficou por lá ou conhece alguém que ficou e aprovou, conta aí nos comentários.

O nosso hotel foi o Glamour Hotel, do qual gostamos bastante. Quartos limpos e confortáveis, ótimo café-da-manhã, Wi-Fi eficiente e excelente localização. Possui uma estação de tram próxima, de modo que pudemos ir com nossas bagagens a partir do aeroporto até ele, assim como fazer o caminho inverso. E apenas caminhando estávamos a poucos passos de restaurantes, docerias (o doce turco é divino) e muitas atrações turísticas.

Vista do teto do nosso hotel

Mas vamos acabando este post, porque já escrevi demais. Nos próximos relatos, daremos mais dicas da cidade, à medida que formos relatando os nossos passeios pela incrível e antiga Istambul.


OBS:
1. Os preços indicados neste post correspondem aqueles em vigência na época da viagem. Recomendo pesquisar novamente os valores das atrações na época da sua viagem.

2. Este post não recebeu nenhum tipo de patrocínio

2 comentários:

  1. Erik, onde compro as passagens de onibus para circular em Istambul? Ficarei longe do metrô. A passagem eu coloco na maqumáq do onibôn ou basta encostar?

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    1. Olá! Você pode utilizar os ônibus com o mesmo cartão que serve para o metrô, o tram e os barcos: o Istambulkart. Este pode ser adquirido em máquinas de auto-atendimento nas estações de metrô, por exemplo. Entrando no ônibus, basta encostar o cartão na máquina de reconhecimento que tem logo na entrada e pronto!

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